As ruas de Porto Alegre abrigam 3.925 táxis. A maioria deles tem a lataria pintada de laranja, mas há também alguns brancos, que atendem ao aeroporto e antigamente cobravam tarifa diferenciada. A cidade conta com 168 pontos fixos e 135 livres, em 496.827 km² de área geográfica. São 362 habitantes para cada táxi.
Apesar disso, o número de taxistas supera 10.000. A maioria não dispõe de veículo próprio e trabalha para empresas ou aluga carro de terceiros. O meio de transporte individual divide espaço com a oferta de linhas de ônibus e lotações, que cobram tarifas de R$2,10 e R$3,50, respectivamente. Desde fevereiro de 2008, os taxímetros porto-alegrenses iniciam em R$3,10. Cada quilômetro rodado agrega R$1,55 ao total.
O serviço de transporte individual de passageiros é tão antigo quanto as civilizações. Com a aplicação do taxímetro, que taxa conforme a distância percorrida, os chamados carros de aluguel passam a ser conhecidos como táxis. A Lei nº 3.790, de 1973, regulamenta a atividade em Porto Alegre. Assim, para ser taxista não basta apenas possuir a um veículo, como também se torna obrigatório realizar cursos de capacitação e qualificação.
Em Brasília, os táxis oficiais disputam espaço com os carros particulares que fazem transporte ilegal de passageiros. Na rodoviária – como é conhecida a estação central de ônibus metropolitanos da capital federal, diferentemente de Porto Alegre, por exemplo – é possível constatar a presença de inúmeros veículos que realizam a atividade ilícita.
A cidade de São Paulo conta com 32.766 táxis licenciados, agregando o maior número nacional. Lá, são 1.253 habitantes por veículo, que têm lataria pintada de branco. A cidade possui também linhas de metrô subterrâneo e grande quantidade de veículos particulares, o que acarreta congestionamentos e conseqüentemente menor concentração de táxis per capita. O Rio de Janeiro, uma das cidades mais visitadas por turistas no país, abriga o maior volume de táxis. Há um carro amarelo com listras azuis para cada 180 pessoas.
O táxi é um meio de transporte conveniente, mas mais caro que os demais. Os taxistas podem ser comparados a pescadores, pois esperam sempre o próximo passageiro e reúnem histórias e passatempos diversos em seu ambiente de trabalho. Livres pelas ruas ou nas paradas, torcem pelos dias de chuva, véspera e retorno de finais de semana e feriados.
Uma constante é que as rodoviárias e aeroportos agrupam o maior número de táxis em qualquer lugar. Em Porto Alegre não é diferente. São 382 e 141 veículos, respectivamente, sendo os únicos a aceitarem pagamentos com cartão de crédito.
*
Pedro Machado, 56 anos, 20 de profissão, o 2464
O táxi que dirijo é alugado. Divido a diária com outro motorista. Costumava trabalhar no ponto do aeroporto. Lá, os passageiros tem outro nível. São mais educados e fazem corridas mais longas. Mas o dono vendeu a frota e há dois anos tive que trocar aqui para a rodoviária. Por mim, tanto faz. Eu vou e volto pro ponto o dia todo.
Demora uns 15 minutos para chegar ao início da fila de novo. Enquanto isso, jogo cartas e damas com os colegas. Dá tempo também de tomar um cafezinho de vez em quando.
*
Jaqueline Lima, 32 anos, 10 de profissão, o 4612
Certa vez entrou uma mulher aos berros. Ela queria que eu seguisse um carro. Passamos a tarde perseguindo o marido dela, pois estava desconfiada de traíção. Eu tentava acalmar, dizia para não fazer barraco, não dar vexame. Ela gritava, chorava e dizia que iria matá-lo. A corrida foi cara, mais de cem reais, e não resultou em nada.
Divido o carro com meu pai. Ele que é o dono do corsa. Trabalho na rodoviária há dez anos. A gente paga uma mensalidade de R$56 para as despesas internas daqui. Mas eu gosto mesmo é de pegar passageiro na rua. Só fico no ponto em dia que não tem movimento.
Adoro a profissão. Antes eu era vendedora de loja, emprego sem muita emoção. Não me sinto excluída de forma alguma no ponto. Converso com os outros taxistas e não perco passageiro por ser mulher.
Esses dias um cara chegou e ordenou que eu seguisse um carro. Me contou que havia sido assaltado e queria alcançar os bandidos. Olhei para o vectra 2.2 que deveria perseguir e informei ao passageiro que meu carro é 1.0. Não valia a pena. Acabei deixando ele na delegacia de polícia.
*
Osmar Lemanski, 53 anos, 6 de profissão, o 3952
Fui motorista de ônibus por 25 anos. Eu sou do tempo da lei antiga, que motorista só precisava trabalhar um quarto de século para se aposentar. Agora eu incremento meu orçamento como taxista.
O carro é alugado, mas eu sou o único motorista. Estou sempre aqui na rodoviária, é o melhor ponto da cidade. Táxi é chato de dirigir, pego muito trânsito e tenho que disputar espaço com esse monte de veículo, caminhonete e carroça que tem por aí. Ônibus é melhor. Tem corredor próprio, bem mais tranquilo.
Semana passada fui assaltado de novo. Foi a quarta vez. Dois motoqueiros encostaram do meu lado na sinaleira. Levaram dinheiro, celular e meu rádio. Esse tipo de coisa acontece direto com taxista. A minha sorte foi que nunca fizeram nada comigo. Desde sempre que somem táxis e até matam motoristas.
*
Dirceu Machado, 66 anos, 36 de profissão, o 3906
O pessoal me chama de Borboleta por causa da minissérie da Globo, o Bem Amado. O prefeito da cidade construiu um cemitério e precisava de um morto pra inaugurar a obra. O assessor dele se chamava Dirceu e era caçador de borboletas. Daí, acabei denominado assim, graças ao Dirceu Borboleta.
Acho que 90% dos taxistas só conhecem pelo apelido. Eu fui um dos fundadores do primeiro serviço de rádio-táxi de Porto Alegre, o Cooptáxi. Por causa da rádio que fiquei famoso no meio.
Tenho táxi próprio. Carro recém comprado. Modelo 2009, ano 2008. Se eu fosse vender, valeria de 200 a 300 mil reais, incluindo a placa e espaço no ponto. Emplaquei em nove dias, com despachante particular. Pelo sindicato demora um mês. É bobagem pagar a mensalidade deles. Hoje não banco mais.
Sou um dos mais antigos aqui na rodoviária. Fora eu, deve ter mais uns três ou quatro que entraram na mesma época. Chego aqui às 4h todo dia. Às 11h, vou para casa almoçar e durmo até às 15h. Depois, retorno e fico até às 20h.
