Tudo o que eu tô afim de falá e ninguém tá afim de ouví


Resumo da minha primeira monografia
4 04UTC Junho 04UTC 2008, 12:41 AM
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A possibilidade de estar conectado a qualquer um dos 6,5 bilhões de habitantes do planeta torna-se exponencial com a Internet. A Teoria dos Seis Graus de Separação admite que é possível construir uma ponte entre uma enfermeira em Nova York e um bombeiro japonês por intermédio de no máximo seis pessoas. As novas tecnologias fazem do mundo um lugar cada vez menor.

Este trabalho propõe analisar um fenômeno que se enquadra no contexto da aldeia global contemporânea: as epidemias noticiosas. Por meio de mensagens de e-mail, os usuários assumem o papel de meios de comunicação e podem utilizar esta ferramenta para práticas cidadãs. O resultado é a capacidade de contagiar indivíduos com informações que não ganham destaque na mídia oficial.

Quer ler mais? É só pedir que envio na íntegra… fernandakistpugliero@hotmail.com



Escrita Criativa em dia de chuva
29 29UTC Maio 29UTC 2008, 8:32 PM
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Na última aula de Escrita Criativa, o professor Charles Kiefer substituiu Assis Brasil. Mal os colegas ficaram sabendo de quem ministraria a aula, começaram os comentários. “Se o Assis é mansinho, Charles critica tudo”; “O Assis nem se importa que conversem em aula, mas o Charles pára de falar”.

Realmente, Charles Kiefer esboça mais ditatoriedade e é mais enérgico. Trouxe um conto do escritor que, segundo ele, ficaria em quarto lugar no “Top 10 melhores escritores brasileiros de todos os tempos”. Recomendou ainda o “melhor livro da literatura brasileira”, cujo o autor nenhum aluno presente conhecia.

Depois da leitura do conto e do debate em close read, Charles comentou: “Quanto mais diferente um casal é, menor é a duração do relacionamento”. Obviamente, o recado estava inserido no contexto da aula, algo que não pretendo reproduzir em meu breve comentário. Prosseguiu: “Tive uma dúzia de mulheres, fui casado vários vezes, tenho inclusive duas filhas com mulheres diferentes”. Nostalgicamente, remeteu a uma namorada que teve: “Era uma maravilha na cama, mas uma transa era equivalente a 28 dias aterrorizantes… a mulher enloquecia”, comentou com a turma.

O conto inspirou ainda comentários dos colegas. “Nenhum homem fica assistindo o jogo do Inter se a mulher se despe na frente da tv”; “O casal pode ter até brigado, mas basta a mulher tirar a blusa que fica tudo bem”; “No mínimo ela estava sempre se fazendo pra dar pro cara, até que ele cansou e rejeitou quando ela quis”.

Hilário. Uma das poucas boas aulas que tive em dias chuvosos.



O que aconteceu com a baleia?
10 10UTC Abril 10UTC 2008, 3:18 PM
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Na última aula de Escrita Criativa, ministrada pelo professor/escritor Luiz Antonio de Assis Brasil, foi pedido que fizéssemos um texto explicando “O que aconteceu com a baleia?”. Inúmeras versões surgiram para o fato. Eis a minha descrita abaixo:

Depois de mais um domingo com almoço em família, a mãe e a avó juntam os restos e recolhem os pratos. As crianças correm para o pátio. Os adolescentes, ou “crianças maiores” como são chamados pela avó, disputam o controle remoto na sala. “O que eu faço com os ossos?”, questiona o pai. Ao ver o cachorro na porta, pensa que seria uma boa idéia dar ao Bilú um presente dominical.

Sábado foi dia de pescaria. Seu Adão levantou cedo, e pegou a térmica com café que a mulher preparara na noite passada. Já passava das 9h e nada de paixe. Às 15h voltou para casa com as mãos vazias. Quando entrou pela porta dos fundos, que dava direto na cozinha, a filha o surpreendeu: “Pai, corre lá pra praia que tão partindo a baleia”. Confuso e cansado, Adão obedeceu. Foi até a praia e avistou a multidão que se reunia com facões e serras.

“Tem pra todo mundo”, gritava o policial. Os pescadores que não faturavam há mais de duas semanas cortavam os pedaços do animal morto. Encalhada na praia desde a noite de sexta, a baleia não resistiu. Os ambientalistas sugeriram que fosse dividida entre os habitantes da ilha, já que saria muito trabalho, causando até maiores estragos, se fosse rebocada dali.

Depois de retornar à garagem de casa, munido de uma serra elétrica, seu Adão e o genro escolheram o pedaço que seria deles. Às 20h estava tudo resolvido. Pequenos restos de baleia sobraram na praia, e foi tudo colocado em uma balsa, com destino ao lixão da capital. As famílias de pescadores da pequena ilha de Guantatiba garantiram o almoço de domingo graças à baleia.

Ao final da aula, Assis Brasil completou: “Um escritor escreve sempre o mesmo livro”. Dessa forma, pediu que todos pensassem porque escreveram essa história para a baleia. Teve colega que fez o bicho virar mulher e gente que colocou-o pra entrevistar os moradores do fundo do mar. Outros preferiram descrever os habituais barcos “caça-baleias”. Eu fico pensando porque fiz da baleia pedacinhos.