Tudo o que eu tô afim de falá e ninguém tá afim de ouví


Enforcando o Natal
18 18UTC Dezembro 18UTC 2008, 5:13 PM
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Aqui em casa, a árvore de Natal está pronta. Tem bolas vermelhas e douradas, de diversos tamanhos e 300 luzinhas que não piscam, pois minha mãe não gosta de coisas piscantes. Uma das arvorezinhas do pátio também está iluminada, acho que para contagiar os passantes com o espírito natalino ou mostrar aos vizinhos que estamos entusiasmados com o Natal – o que é uma grande mentira.

Não sei se quando crescemos o Natal perde a graça, se a falta de neve acaba se tornando constrangedora com os anos – já que imitamos o “estilo europeu/americano de celebrar o nascimento de Cristo -, se os presentes estão caros demais em época de crise mundial ou se, simplesmente, esse negócio de Noite Feliz se tornou balela no século XXI. Fato é que, aqui em casa, comeremos chester mais uma vez, teremos arroz “colorido”, espumante para os adultos e refrigerante para as crianças – que já são adultas.. -, bem como apenas uma parte da família reunida.

Não acho mais graça no Natal e estou completamente desempolgada. No mesmo saco, coloco meu aniversário, que acaba por perder o sentido com tanto desentusiasmo – até porque, não me apetece comemorar minha velhice.

Faltando apenas uma semana para o grande dia - hahaha - penduramos hoje o Papai Noel na sacada, gesto que encerra a decoração natalina deste ano. Eu e minha mãe ficamos preocupadas ao colocá-lo amarrado por uma cordinha dourada na luminária, pois não ficaria bem se ele parecesse estar sendo enforcado. No fim, ele está lá bem feliz embalando para frente e para trás. Apesar disso, ainda acho que enforcar o Natal seria uma boa idéia.

Como diz minha mãe: “Depois do aniversário da tua irmã, em outubro, deveríamos pular diretamente para o meu, em março”. Concordo plenamente. Melhor que matar o Natal seria enforcar o final de ano inteiro.