Tudo o que eu tô afim de falá e ninguém tá afim de ouví


Mais sobre Crepúsculo
29 29UTC Dezembro 29UTC 2008, 2:47 PM
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Queria não gostar tanto de vampiros

Vampiros e mais vampiros

Levei apenas dez horas para ler as 380 páginas de Crepúsculo. Foram dez horas seguidas, iniciadas às 4 da manhã de domingo. É simplesmente impossível parar, ainda mais depois que se viu o filme e sabe-se o que está por vir nas próximas linhas.

Recomendo o livro especialmente após a ida ao cinema. É mais fácil partir para a leitura quando os personagens têm rostos definidos (e é tão bom passar a madrugada lembrando Edward Cullen). Além disso, o livro contém passagens que não são mostradas no filme, como a transformação de Carlisle e Alice, e o porquê do interesse do predador por Bella.

Na comparação fica claro que o roteiro cinematográfico foi adaptado, uma vez que se suprimiram certas cenas e emendaram-se alguns trechos, principalmente nas partes em que a protagonista descobre os segredos do amado. Uma pena é a retirada do episódio em que Bella passa mal na aula de Biologia após sentir cheiro de sangue (antes que perguntem, Edward matou aula nesse dia).

Entre os pontos positivos está a preservação de grande parte das falas principais, como o trecho em que Bella diz nunca ter imaginado a forma como ia morrer, mas que achava nobre morrer por alguém que ama, ou então quando ela questiona Edward sobre sua idade e ele alega ter 17 anos há algum tempo (o que ficou um ótimo chamariz no trailer do longa). A família Cullen está muito bem representada no filme e é exatamente como o descrito no texto de Meyer. Até mesmo o corte de cabelo de Alice, a exuberância de Rosalie e a beleza de Carlisle são exatas. Bella e Mike também ilustram com exatidão seus personagens literários. Jacob aparenta ser um pouco mais velho no cinema, pois no livro tem 14 ou 15 anos.

Achei a Bella do livro mais melosa e chatinha ao compará-la com a do filme, o que representa um avanço na adaptação. O chefe de polícia Swan parece mais frio no texto, e a lanchonete onde jantam existe apenas no roteiro cinematográfico. Além disso, as caçadas dos vampiros maus provavelmente foram inventadas para explicar ao público rapidamente quem são eles e como surgiram, pois no livro eles aparecem em Forks apenas no dia do jogo de beisebol da família.

Um ponto interessante é que o livro explica seu título. Crepúsculo é o marco do início da noite. Aquele momento em que o Sol já desapareceu no horizonte, mas seus raios ainda colorem o céu, iluminando a noite. Em Geografia chama-se efemérides noturno, a hora exata em que o dia torna-se noite.

Aliás, poderia citar inúmeras considerações sobre as obras, mas acho que vale a pena descobrir as diferenças entre literatura e cinema sozinho. Pretendo ler Lua Nova logo no início de 2009. Uma amiga me disse que é melhor do que o primeiro, mas eu duvido. Gostaria de ver o filme antes, mas acho difícil aguardar até o final do próximo ano. E ainda tem Eclipse depois.



Verdades Contestáveis
5 05UTC Maio 05UTC 2008, 3:17 PM
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Mário Quintana gostava de ter pesadelos. Segundo Luiz Antonio de Assis Brasil, escritor e professor, o poeta gaúcho costumava comer seis salsichões com café preto. “É bom para ter pesadelos”, dizia.

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Juremir Machado da Silva foi reprovado em teste psicotécnico. Um dos pré requisitos para conseguir otrabalho de balconista de farmácia era a tal prova. O escritor e professor não obteve sucesso.

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Ao dirigir a minissérie O Tempo e o Vento, o também ator Paulo José iria gravar uma cena com seis gaúchos em roda tomando chimarrão. A produção prontamente arranjou seis cuias e seis bombas.

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Luiz Antonio de Assis Brasil vendeu o direito de reprodução de um dos seus livros à Rede Globo. Por uma gorda quantia, assinou o contrato. O prazo expirou e o roteiro não chegou a ser adaptado.



O dono do Morro Santa Marta
9 09UTC Março 09UTC 2008, 3:00 PM
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Juliano VP, traficante, nascido e criado na Santa Marta agora comanda o narcotráfico no morro. Mas nem sempre foi assim. VP descende de uma família de nordestinos, que chegaram ao Rio de Janeiro na década de 70 e se instalaram na favela por falta de recursos. A maioria das famílias que moram ali é oriunda de outras regiões pobres da cidade e do país.

Em seu livro Abusado – O dono do Morro Santa Marta, Caco Barcellos narra a trajetória do menino que começou como “avião”, passando por traficante e “mula”, até chegar ao posto mais alto na favela: o controle das bocas de fumo. Em uma longa reportagem, o repórter é capaz de detalhar a vida do personagem, obter relatos, transcrever diálogos e contar passo-a-passo como e por que o protagonista de uma história também pode ser o vilão.

Se tratando de jornalismo, o livro não deixa a desejar em momento algum. É completamente circunstancial e factual, expõe a cada página os episódios da vida do criminoso e nunca tende pela opinião. A história não é apresentada na ordem cronológica correta, uma vez que a tendência do autor é explorar flashbacks. Já no primeiro capítulo ocorre essa disposição, já que certas ocorrências são retomadas no capítulo posterior para as devidas explicações.

É interessante notar em capítulos como “Bonde sinistro” e a “Guerra”, nos quais as batalhas pelo controle da região são descritas, a intensa participação da mídia brasileira e mundial na cobertura do acontecimento. Um repórter radiofônico consegue entrar no morro durante uma pausa no tiroteio e entrevista o então líder da gangue, Cabeludo.

O livro é dividido em duas partes, tempo de viver e tempo de morrer, sendo a primeira os momentos de ascensão na carreira do bandido e a segunda a decadência de sua presença no crime. Outro dado interessante é notar a partir das datas como funcionou a formação de uma das maiores quadrilhas que atua até hoje no Brasil: o Comando Vermelho

Uma coisa é certa: Abusado traduz no que a marginalização infantil pode se transformar com o tempo. Juliano VP – importante frisar que ao ler a obra se entende o porquê das duas letras incorporadas ao nome – é muito mais que um delinqüente provocador, ele teve a esperteza, ganância e atrevimento de disputar com os chefões do tráfico o comando do seu lar. Conhecendo a vida fácil e emocionante do crime organizado, se encurta o caminho para entrar na violência e nas drogas. Com certeza, nem todos favelados são criminosos, mas todos os criminosos são favelados.

* Texto achado na limpeza dos armários. Provavelmente escrito no quarto ou quinto semestre.