Tudo o que eu tô afim de falá e ninguém tá afim de ouví


Um trincheira por dia
10 10UTC Dezembro 10UTC 2008, 6:06 PM
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Deve ser fácil promover uma guerra. Compra-se uma centena de armas, abre-se inscrições para alistamento de  jovens que buscam um pouco de dinheiro e muita aventura, arranjam-se aviões, tanques e submarinos, algumas tendas, comida e água. Depois disso, é só migrar para o local de combate.

De preferência, a guerra deve se estabelecer longe do lar daqueles que brigam. O exército que trava a batalha não quer correr o risco da bala perdida ou ter manchas de sangue na calçada. Fica mais fácil quando a guerra parece distante.

A distância faz com que se enxerngue mal o rosto de quem está do outro lado das trincheiras. Seria mais difícil matar um formiga se pudéssemos ver sua expressão facial, saber um pouco sobre a sua vida e tomar um chá em sua casa de vez em quando. Imagine pisotear um ser infinitas vezes menor que o homem se fosse possível enxergar um sorriso em seu rosto. Ou então bombardear um formigueiro no dia do aniversário da rainha ou justo quando estão nascendo milhões de filhotinhos.

O interesse justifica a destruição. É mais barato matar do que conversar. Torna-se melhor pagar do que oferecer oportunidades. Talvez uma bomba nuclear liquide em alguns milésimos de segundos um problema que poderia se alastrar por décadas.

Antes da guerra acontecer só há vítimas: Pessoas que se sentem injustiçadas por qualquer motivo e batalharão em prol daquilo que julgam correto. Depois, sobrevivem algum heróis: Vítimas que não apontam mais os inimigos e apenas enxergam mais vítimas do outro lado da trincheira.