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No final do ano passado, li na Vogue que 2009 seria o ano da França no Brasil. No domingo de carnaval, a Grande Rio, escola de samba carioca, desfilou o tema na avenida. Acho que ambas estavam redondamente enganadas. Este é o ano da Índia.
A novela mais popular do canal mais assistido da televisão brasileira estrela o tema. Com Caminho das Índias, os telespectadores passam a ficar acostumados em tomar um tchai, aprendem a dançar em ritmo indiano, se habituam ao terceiro olho, panças de fora e sabem que tartarugas não são auspiciosas em dias de fechar negócio.
Na avenida do samba em São Paulo, a Índia também foi representada. A Pérola Negra aderiu à moda e desfilou com Ganesha na avenida. Sinceramente não sei como combinaram mulheres semi-nuas ao tradicionalismo do país asiático.
É claro que a Índia mostrada pela ficção noveleira e exibida no carnaval não é de toda verdade. Nem todas as famílias devem seguir rigorosamente os costumes, acreditar piamente na religião e castas, tratar as mulheres como seres inferiores e os Dalits pior que cães.
A Índia é um dos maiores exportadores de cérebros do mundo. Em especial, para os Estados Unidos. Principalmente na área da computação e novas tecnologias, os indianos não deixam a desejar em seu conhecimento e cobram menos por ele em compração a norte-americanos e europeus. A Índia ilustrada na novela esquece também da parte pobre, do pessoal que mora às margens do Ganges e faz as necessidades no rio – cuja água sagrada é usada para purificar!.
E o ano da Índia não é apenas brasileiro. Na festa do Oscar 2009, Quem quer ser um milionário? (Slumdog Millionaire) desbancou O Curioso caso de Benjamin Button. O filme inglês gravado na Índia, que não é bolly e sim holly, levou a estatueta mais cobiçada da noite.
Quem quer ser milionário é o nome de um programa de televisão similar ao Show do Milhão de Sílvio Santos. O participante responde às perguntas do apresentador, concorrendo a prêmios em dinheiro. O protagonista do filme, um pobre garoto indiano, é o participante do quiz e consegue passar as fases do jogo mesmo com poucos conhecimentos. O filme estréia no Brasil no dia 27 de fevereiro.
A ocasião pede trajes especiais. Calças azuis, blusas largas e verdes, toucas brancas com luvas beges. Um verdadeiro desfile de cores pálidas sem trilha sonora. Não é baile de máscaras, mas todos as usam. O cheiro de álcool domina o ar. De repente, a tão aguardada adentra o salão. As luzes arrendondadas no teto tornam à convidada especial. Alguém pede que ela ocupe logo seu lugar: A maca no centro da sala.
Os lençóis são brancos e macios. Há um pequeno travesseiro sobre o qual encosta a cabeça e tenta relaxar. O avental que usa deixa as costas a mostra e é retirado para que o procedimento se inicie. O braço direito, esticado ao longo do corpo, recebe o medidor de pressão. São colados três adesivos redondos no peito. Posicionados estrategicamente para, ligados a cabos, lerem o que diz o coração. “Uma vez eu adivinhei o nome da menina que um paciente gostava só olhando no monitor. Nem ele acreditou”, brinca a doutora. A mão esquerda é picada pela agulha, e o líquido incolor da seringa nada pelo cano transparente a procura da veia.
“Não olha para mim senão vai sonhar comigo. É melhor pensar no Brad Pitt ou George Cloney. Se bem que eu acho que eles já eram”, diverte-se o dentista. A anestesista protesta, afirmando que Pitt e Cloney são eternos. A paciente ainda pode ouvir as risadas tímidas das enfermeiras, que queriam arriscar um palpite, mas não o fizeram a tempo. As luzes brilham um pouco mais do que antes, e as pálpebras não se sustentam. É hora de dormir.
Acordar depois de anestesia geral é uma experiência única. Deve ser algo próximo a ressusitação ou a casos de quase-morte. A cama de hospital nada lembra o gramado verde e úmido sobre o qual se andava. Ele recobre a montanha até o horizonte e lembra os desenhos de infância com aqueles vales intermináveis em forma de M. Não há tunéis, nem luzes no fim deles. Apenas o início da dor que não existia (ou que não era sentida até então).
A noção de abertura dos olhos é nula. Não se sabe mais como respira, nem qual o tom de voz mais adequado a uma CTI, muito menos se o coração está a bater. O esforço que se faz é para retornar ao sonho. “Está tudo bem. Já acabamos”, disse alguém. A enfermeira coloca os tubos verdes de oxigênio no nariz enquanto outra injeta um pouco mais de anestésico. “Deixa ela dormir”, alguém sugere.

Errar é humano! Afinal, que disse "seu anjo não vai me bloquear"?
As participantes do reality show Big Brother Brasil, Milena e Priscila, são amigas desde o primeiro dia de programa. Esta semana, Milena, a loira amazonense, é o anjo da casa. Já a colega Priscila, a morena de Mato Grosso do Sul, é líder.
Parece que a produção do programa anda mesmo confusa. Ao acessar o site da atração, uma das notícias postada no domingo, 8 de fevereiro, às 19h50, confunde os leitores: Afinal, quem disse “seu anjo não vai me bloquear”?? Certamente, pela interpretação da frase, foi a morena Priscila. Porém, ela não é amazonense. Quem nasceu em Manaus foi Milena. Então, disse à amazonense?
Ou a produção da Globo não sabe empregar a crase corretamente, ou não estudaram direito a vida dos participantes de seu próprio programa. Bacana hein!
E agora Bial? Vai rolar uma briguinha básica, com direito a gritos e faniquitos, no suite hoje?
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IMAGEM SITE BBB:
Acima: “Seu anjo não vai me bloquear”, fala a amazonense.
Abaixo: “Seu anjo não vai me bloquear”, diz a morena.
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Capa do site do Big Brother Brasil no sábado, 7 de fevereiro
Ridículo talvez seja o adjetivo mais apropriado para descrever o que aconteceu na sexta-feira, 6 de fevereiro, na versão brasileira do reality show Big Brother. A prova pela liderança da semana havia acontecido na quinta, e Ralf foi o vencedor. No desempate contra Priscila, conseguiu catar o maior número de chinelos do patrocinador. Porém, na sexta-feira aparece a notícia de que ele seria destronado, pois colocou chinelos no cesto após o término do tempo.
Não foi má fé. Os movimentos do corpo humano talvez respondam mais rapidamente que o entendimento de comandos vocais. Ele largou o chinelo no cesto por reflexo. Apesar disso, Pedro Bial foi extremamente grosso ao dar a notícia ao participante, repetindo o vídeo do crime em flagrante por três vezes para que esse tivesse certeza do veridicto: Culpado!
Mais do que ridículo. Pedro Bial achou estar na sala de casa discutindo com sua mulher na sexta-feira. Pode ser que o diretor da atração Boninho estivesse a gritar no ponto em seu ouvido, mas mesmo assim a grosseria não se justifica. Na vida real, as pessoas têm a possibilidade de se explicar caso episódio semelhante ocorra. Se o programa transpõe a realidade humana em confinamento forçado 24 horas por dia, por que não deixar Ralf justificar, mesmo que inutilmente, seu ato falho?
O pior de tudo foi acessar o site do programa na noite de sábado e me deparar com a manchete “Produção da TV Globo erra: vídeo da prova do líder é exibido sem áudio”. Ao meu ver, apenas uma tentativa fajuta de justificar a grossura do apresentador. A produção do programa errou sim. Errou ao não fiscalizar a prova do líder no momento que ela estava sendo realizada. Pecou também por não conferir o vídeo e deixar, muito provavelmente, que o público denunciasse o ocorrido. E não é a primeira vez. Na edição 7 do programa, ocorreu caso semelhante em uma das provas pela liderança.
Dica útil: Que Pedro Bial faça aula de yoga e que Boninho escolha melhor seus produtores. Aliás, meu currículo está à disposição.
Embora as pautas sobre o aquecimento global estejam em baixa, todos sabem que uma mudança climática planetária é inevitável. Seja pelas vias naturais, pois há leis que regem a Terra e fazem com que seu clima mude de tempos em tempos – eras, ao que se sabe -, ou pela ação humana depredadora, como o aumento geométrico da população e poluíção, as catástrofes serão chamadas assim até que o homem se acostume com sua nova rotina.
Há de se creer que os primeiros efeitos estejam se apropriando do território brasileiro, desde o furacão Catarina, que atingiu as praias gaúchas e catarinenses em 2004, passando pelas enchentes em Santa Catarina na finaleira de 2008, até as novas chuvas no extremo sul do país logo no início de 2009. A passagem do Katrina por Nova Orleans em 2005 exemplifica a projeção catastrófica em escala mundial, muito embora os norte-americanos estejam mais acostumados com tormentas e furacões do que os colegas mais ao sul do continente.
Se é culpa do aquecimento global? Não sei especificar (ainda não possuo o diploma de geógrafa – favor frisar o ainda). Se há como reverter esse panorama? Chuto que não. Se tende a piorar? Apostaria algumas fichas nisso. E agora, quem poderá nos ajudar?
Nem Capitão Planeta, nem Jefferson Simões. É provável que ambos nada possam fazer com seus super poderes. O jeito é abrir um curso teórico-prático para ensinar aos brasileiros o que fazer em caso de furacão, porque as tormentas de verão tendem a se repetir nos próximos anos. Sorte que o Brasil está sobre a mesma placa tectônica, assim, pelo menos não é necessário aprender o que fazer em caso de terremotos.
Eu sabia que se tratava de uma das últimas vezes que os veria. Talvez fosse a proximidade do término das aulas, que impediria os encontros diários, ou o dia dos namorados, que deixara o clima mais pesado naquela manhã de quinta-feira. Como de costume, a turma composta por sete se reuniu na hora do intervalo no pátio da faculdade. Enquanto Ari e Hermes contavam dos presentes que dariam a Carol e Cris, os descomprometidos Edisson e os Pedros combinavam a dita noite dos solteiros. Mas eu sabia que todos queriam mesmo era ter alguém especial para desejar feliz dia dos namorados.
Na saída, seis ficaram conversando mais um pouco sobre as fantasias que usariam na festa de arrecadação para a formatura de Publicidade, que aconteceria no sábado. Só Edisson foi embora mais cedo. Era seu primeiro dia dos namorados sozinho, depois de quatro anos. Dei carona para Hermes e, no caminho, falei que não era para eles brigarem comigo, porque eu estava com a impressão que começaria a me afastar, já que abomino despedidas. Farejava algo errado no ar.
No almoço, minha irmã comentou o sonho que teve. Dizem que dente é presságio de morte. A minha temática noturna de quarta para quinta foi a mesma. Uma boca com dentes tortos, disformes e frouxos. Eu os balançava de leve, mas não queria que caíssem. Os meus permaneceram, mas Diandra disse que acordou banguela.
No começo da noite, voltei à faculdade e encontrei Edisson novamente. Andamos com as mesmas pessoas há quatros anos, mas começamos a conversar somente em 2008. Ele é um cara tímido, que passa a impressão de arrogante. Loiro, de olhos verdes e topete sempre bem penteado, é conhecido como o Alemão. Tem rosto redondo e uma ruga profunda que corta a testa de uma ponta a outra. Aos 22 anos, com cerca de 1m75cm e 70 kg, faz sucesso entre o público feminino, mas expressa pouca confiança quando sóbrio. O sorriso está sempre pintado na cara e a barba quase nunca cresce. O celular tira fotos e faz vídeos, mas nunca tem crédito para completar uma ligação.
Logo que saí do bar da faculdade, vi ele procurando por um rosto conhecido. Como de hábito, sentou com a agenda em baixo do braço e ficou mexendo no celular. Me aproximei e notei a cara de desânimo daquele que acabara de ter um dos piores dias de sua vida. Me contou sobre as cervejas que tomara para não pensar na ex-namorada e da festa que faria mais tarde, em comemoração à solteirice. Antes da aula, foi comigo comprar o ingresso para sábado. Não levei fé que ele iria, pensei que não se tratava do tipo de festa que gostava de freqüentar. Em dúvida quanto à fantasia, disse que não conseguia se imaginar naquela festa. Às 19h40 nos despedimos e foi a última vez que o vi antes do incidente.
Edisson namorou por três anos e meio a vizinha Marina. O relacionamento acabara há alguns meses, mas ele ainda nutria carinho pela ex. Ela o substitui por outro, logo após o rompimento. Desde então, ele passou a freqüentar assiduamente a noite da cidade. A fama de galanteador é confirmada pelos companheiros de balada, muito embora ele insista em afirmar que quer ser parte de um casal novamente.
Estava chateado desde o início da semana. Na segunda, 9, falou com a ex por telefone e chorou escondido no carro. Na terça e na quarta, sofreu por antecipação o dia dos namorados. Na quinta, 12, encontrou com o ex-sogro e falou duas vezes com Marina. Ela ouvira de casa o cantar dos pneus do carro dele e telefonou xingando: “Quer te matar?”. Desde o começo de 2008, a ex avisava para ele tomar cuidado quando dirigia.
Eu acordei com uma sensação estranha no sábado. Talvez fosse porque ainda não tinha fantasia para a noite ou por causa da chuva e do frio, que castigavam a cidade desde o início do mês. Acertei de ir à festa com uma colega e iria encontrar com a turminha lá. Quando a busquei, achei que deveria ligar para Pedro – um dos sete – para saber que horas chegaria. Em casa, disse a ela que esperasse um pouco, pois faria uma ligação. Ela questionou o porquê e eu disse apenas que precisava falar com ele antes da festa.
Sábado, 14, perto das 21h:
- “Alô, o Pedro está?”
- “Não, ele não está.”
- “E ele volta mais tarde?”
- “Na verdade, não.”
- “Então ele já saiu para a festa ou está na casa do Edisson?”
- “Aconteceu um incidente ontem à noite. Ele e o Edinho estavam voltando duma festa e bateram com o carro.”
Permaneci em silêncio por alguns longos segundos antes de perguntar ao pai de Pedro se estava tudo bem. Descobri que o acidente ocorreu na madrugada de sábado, depois da noite de sexta-feira, 13. Haviam ido com mais dois colegas para a Cidade Baixa, bairro porto-alegrense conhecido por abrigar diversas opções de entretenimento noturno. Na volta, pararam para comer no Mc Donalds e deixaram os caronas do banco de trás em casa. Seguiram pela Avenida Salvador França em direção à Zona Sul da cidade. Após uma curva feita em alta velocidade e de uma ultrapassagem que assustou o motorista, a direção hidráulica do Clio gris-cendré fez com que Edisson perdesse o controle do veículo.
O Clio era seu segundo carro, ganhara o primeiro com 18 anos. Único filho de coronel aposentado da Brigada Militar, morava em apartamento na Zona Sul da cidade. Fazia estágio à tarde e pretendia se formar publicitário no final de 2008. Há alguns meses, Edisson pensava constantemente em acidentes de carro. Desenvolvia com os colegas de curso um projeto sobre trânsito seguro e ficava imaginando como seria se alguém da turma morresse. Antes de dormir, concebia sua imagem em uma cama de hospital, respirando com o auxílio de tubos.
Ele sentia que tudo andava perfeito demais. Trocara de celular e comprara o carro novo há pouco tempo. Apesar do clima pesado pelo qual passou no dia dos namorados, seu problema mais grave naquela semana era decidir a fantasia para a festa de sábado. A vida estava redonda e a sensação era que algo ruim aconteceria em breve.
Edisson tinha certeza que não iria morrer. Não neste acidente. Quando perdeu o controle do carro, só torceu para que este batesse logo e parasse. Poucos minutos após o encontro com o poste, Edisson e Pedro foram colocados em ambulâncias separadas e seguiram para hospitais distintos. O amigo permaneceu duas noites internado. Ele ficou quase uma semana, fez cirurgia no braço e teve tempo para conhecer outros pacientes. Experimentou o abandono em uma emergência e realizou dezenas de exames sem saber se seus pais estavam cientes de onde ele estava. Se preocupou com o amigo, que não teve mais notícias após abandonar o carro, e temeu possíveis seqüelas físicas.
Depois que o pai de Pedro me explicou no telefone o que se sucedera na madrugada de sábado, liguei para ele no hospital. A fala baixa e a voz afetada pela rouquidão me assustaram, mas a visita na tarde de domingo me fez crer que a recuperação era iminente. O caso de Edisson foi um pouco mais grave, mas não incluiu tubos respiratórios no prontuário.
O sempre bem vestido e perfumado habitou por seis dias um leito de hospital público, trajando abrigo azul marinho manchado de água sanitária e envolto em cobertores emprestados da enfermaria. O lanche da tarde incluía café com leite e maçã, que nunca marcaram presença em seu cardápio caseiro. Um dos colegas de quarto foi baleado por traficantes na canela e o outro aguardava pela cirurgia há seis meses. A mãe se manteve sempre presente, mimando o filhote ferido. Ao todo, 12 amigos o visitaram durante as férias forçadas.
Duas semanas após, a vida segue. Só as marcas do cinto de segurança e as dores no peito permanecem. O braço com gesso branco não receberá assinaturas, pois as riscarias não combinam com seu estilo. Nos próximos três meses, Edisson não poderá dirigir, mas não demonstra se importar. Repete que, assim como eu, sempre quando mentaliza uma coisa, ela acontece. Acredito que ele não irá se formar no final de 2008, mas creio que voltará a levar os amigos para a noite antes do prescrito pelos médicos.
