Tudo o que eu tô afim de falá e ninguém tá afim de ouví


Um patinho só
21 21UTC Dezembro 21UTC 2008, 12:46 PM
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Acho ridícula essa história de dois-patinhos-na-lagoa. É muito lugar comum afirmar que os 22 anos de uma pessoa se resumem à semelhança dos números com aves. Aliás, creio que seja apenas essa a utilidade da nova idade. Os 22 não transpassam nenhuma barreira, não oportunizam novos direitos legais, nem fazem notar o acúmulo de maturidade. São apenas a prova que se viveu duas décadas e dois anos ilustrados pela tolice dos tais patinhos.

Mesmo com a revolta de Peter Pan ao compreender que estou comemorando 22 anos no dia 21 de dezembro, simpatizo em fazer retrospectivas no aniversário. Não costumo ter muita sorte em anos pares, mas aprendi a conviver com isso. Em 2008, aos 21 anos, me tornei jornalista. Finalmente consegui colocar um ponto final no segundo semestre da Geografia e planejo estudar em Portugal no próximo semestre.

Foi neste ano que conheci o Rio de Janeiro de cabo a rabo e passei alguns dias em Goiânia. Fiz compras em Rivera e compareci em mais um rodeio de Bagé. Larguei meu estágio-bom-demais e embarquei numa campanha política. Com o diploma na mão, pulei de freela em freela em busca de experiência. Minha networksó cresce à medida que me desanimo cada vez mais com Porto Alegre.

E, novamente, dezembro bate à porta. A decoração dos shoppings este ano está um pouco mais cafona ou, talvez, eu tenha me esquecido da empolgação natalina de outrora. O ano correu depressa, mas eu ainda não consigo aumentar a velocidade da esteira na academia. Fico a passos rápidos, sem exagerar na pressa para não perder o ritmo.

Em janeiro e fevereiro curti a empolgação das férias que estavam por vir, conheci muita gente na Conferência Mundial que trabalhei e aproveitei o carnaval de Laguna mesmo com uma faringite mal curada. Em março, fiquei sem carro por quase um mês, pois sofri um acidente. Foi também no terceiro mês do ano que comecei a orientação da minha monografia: “Cinco páginas por semana”, disse Juremir Machado da Silva logo no primeiro encontro.

Passei abril e maio entre livros. Restaurei minha veia nerd e li nos finais de semana, feriados e viagens. Em junho, me afundei na análise do meu tema e conclui a faculdade com nota 10 na prova final: O tal de TCC.

De julho só lembro de gritos. Foi gritaria para organizar a festa, comprar o vestido, imprimir os convites e decidir quem convidar. Gritei tanto na formatura que perdi a voz mesmo sem beber. Aliás, provei que não necessito de álcool no sangue para me alterar.

A comemoração do dia 25 de julho prosseguiu na semana seguinte, quando fui convidada para trabalhar na campanha eleitoral à Prefeitura de Porto Alegre. No dia 31 estava eu perdida no debate da Rede Bandeirantes imaginando como deveria se portar uma assessora de imprensa. Fechei a campanha em outubro dando entrevista sobre minha atuação como assessora política.

Agosto, setembro e parte de outubro praticamente não existiram. Foram semanas de correria, choro, momentos engraçados e muitos telefonemas. Ganhei um segundo celular e não tinha tempo nem para roer as unhas. Com o fim do primeiro turno, acabou meu trabalho temporário. Após uma sexta-feira de folga embarquei em uma nova missão como assessora durante outubro e parte de novembro.

E, novamente, chega o mês do meu aniversário. Lembro com clareza de todas as 20 e tantas vezes que comemorei minha velhice. Sempre são poucos convidados. Às vezes não por falta de gente para convidar, mas de disponibilidade dos amigos para comparecer. Nascer coladinha com Jesus é complicado: Na maioria das vezes resulta em somente um presente de aniversário e Natal. Apesar disso, tem suas vantagens: Emenda-se toda comilança do final de ano na mesma semana.

Em 2008, tomei coragem e coloquei meus pés (mãos, braços, pernas, barriga e glúteos) em uma academia pela primeira vez na vida. Agora malho todos os dias e músculos viraram meu único assunto em rodas de conversa. Lembrei durante o ano inteiro da promessa que fiz quando achei que era carioca: “Vou festar tanto no Rio que não preciso sair de casa pelo resto do ano”. E dito e feito. Saí de casa algumas vezes sim, mas não precisei de diversão propriamente dita para ficar alegre, só das lembranças de fevereiro.

Assim, percebo que devo ser mais feliz sozinha. Estar só me permite conhecer o mundo melhor, fazer o que der na telha e falar com quem eu julgar interessante. É bom ter amigos e família. Não os renego. Só tenho medo de me tornar mais provinciana à medida que perco a noção do tamanho do mundo por acomodação. Por isso, estipulo que 2009, mais do que nunca, será um ano de mudanças. A começar pelas escalas do mapa mundi.

Melhor seria comemorar só um dos dois hoje e não os dois tudo junto e ao mesmo tempo.