Ao entrar na Igreja, logo se dirige ao confessionário:
- Padre, confesso que pequei.
- Não tem problema, meu filho. Faça duas séries de 20 abdominais e mais três de levantamento de quadril.
- Dois quilos?
- Não, dessa vez você faz com quatro.
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“Hoje tá cheio de homem aí”, disse o segurança da porta. Mas, logo na entrada, tinha umas siliconadas perto do banheiro, algumas pessoas com cabelos extremamente longos, salto alto, brilho, biquíni e saias. E ali só havia homens.
O ingresso custava R$5 e naquela sexta-feira, 4, tinha concurso de Drags. “Drag Queen” é o nome que se dá a homens que se fantasiam do sexo oposto. A maioria costuma fazer shows e apresentações em boates e festas, mas há aqueles que se vestem de mulher porque gostam. Geralmente as roupas são muito exageradas, cintilantes e cheias de paetês, refletindo cantoras pop norte-americanas.
“Transexual é quem se veste de mulher 24 horas por dia. Eu só sou mulher à noite”, diz Luciana Rios, também conhecido como Luciano. Com 30 anos, Lu é travesti há nove e admite que a família sabe há sete da sua opção: “Sempre fui gay, mas meus pais descobriram num programa de televisão que eu me travestia”, conta. Ele – ou ela – trabalha fazendo covers na noite, de Whitney Houston a Cristina Aguilera, por exemplo. Já fez apresentações em cruzeiros no Caribe e nos Estados Unidos, mas atualmente esconde da família sua identidade noturna: “Eu disse para eles que parei com isso”, admite.
Brenda Thompson, 27, é companheira de Luciana Rios em algumas performances. Ao contrário da colega, Brenda é transexual: “Sou mulher sempre e isso tudo aqui é meu”, fala exibindo o megahair e os seios de 550ml, recém colocados. Brenda é casada com um barman da casa: “Ele era noivo de uma mulher há sete anos e me conheceu. Desde então, estamos juntos e casados”, revela.
Transexual é um indivíduo que possui uma identidade de gênero oposta ao sexo designado. Geralmente a pessoa toma hormônios para ficar com características femininas ou masculinas e planeja uma cirurgia de mudança de sexo – ou já a relizou. Já o termo travesti se refere principalmente à quem apresenta sua identidade de gênero oposta a designada no nascimento, mas não almeja se submeter à Cirurgia de Redesignação Sexual, como é chamada. A travestilidade é uma questão de identificação e não uma orientação sexual. Portanto, os travestis podem ser homossexuais, heterossexuais, bissexuais ou assexuais.
Anna Forever tem 17 anos e é bissexual. “Namorei um menino por cinco anos, mas hoje fico com mais guria do que guri”, conta. Para ela, atualmente tem muito homossexual por modismo: “Todo emo virou homo” – se referindo à modinha dos emocore, os quais, geralmente, se vestem de preto, usam munhequeiras quadriculadas, cabelos pretos, franja penteada para o lado e escutam um tipo de música homônimo.
Ricardo, 32, e Ícaro, 18, estão juntos há cinco meses. Se conheceram por causa dos ex-namorados: “Ele namorava meu amigo e eu namorava um amigo dele”, narra Ricardo. “Foi amor à primeira vista”, expõe Ícaro que casou com o parceiro no dia 20 de março, numa cerimônia pública em uma festa GLS da capital.
Todos os anos, o inverno no hemisfério sul começa em torno do dia 21 de junho. Até chegar a primavera, passam-se mais de três meses. Somente em meados de setembro as flores começam a desabrochar. Não sei o porquê, mas, ultimamente, tenho ouvido comentários peculiares dos gaúchos sobre o inverno: “Esse inverno tá muito rigoroso”, “Tá mais frio do que nunca” ou “Quando o inverno vai acabar?”. Acontece que o inverno vai acabar no mesmo dia que acaba todos os anos. Mas parece que ninguém se deu conta disso.
Na quinta-feira, 9 de agosto, eu estava ouvindo a Rádio Atlântida e um dos radialistas fez um comentário sobre o frio: “Cadê o tal do aquecimento global?”. E eu fico me perguntando: Quem disse que o aquecimento global provoca somente altas temperaturas? Me admira alguém que trabalhe na mídia dizendo uma bobagem dessas ao vivo. Aquecimento global provoca mudanças climáticas e não aquecimento geral.
Logo no começo do inverno, eu estava acordando lá pelas seis e pouco da manhã. Era um daqueles dias que não dá vontade de sair da cama. A pessoa mal consegue colocar o pé no chão de tão frio que está. Olhei meu celular e la´estava uma mensagem de um amigo: “E cadê o aquecimento global, Fernanda?”. Parece que isso virou piada. Parece não, realmente é a piada deste inverno.
A mídia martelou tanto sobre poluíção, desmatamento, derretimento de geleiras e, de repente, esqueceu o assunto. Eu sei que o aquecimento global provoca mudanças climáticas e não meteorológicas. Eu sei que não se trata somente de calor demasiado, tratam-se de temperaturas extremas. Eu sei também que não é um fenômeno localizado e que se esqueceu de influenciar o Rio Grande do Sul. Eu só não sei por que os jornalistas não explicam isso para o público.
* Esse texto foi originalmente lido na aula de Radiojornalismo III como exercício de comentário livre. Embora a pontuação tenha sido alterada em alguns casos, o conteúdo é o mesmo da gravação e de autoria própria.
Amanhã é o grande dia. Um dos dias mais importantes do ano, provavelmente. Se eu fosse escolher um dia para chamar de “dia D” em 2007, este seria amanhã. No tal 6 de agosto nenhum novo ataque à Normandia irá acontecer, mas vai ao ar no Brasil o último episódio da terceira temporada de Lost.
Há aqueles que gostam de baixar correndo os episódios pela internet logo que eles vão ao ar nos Estados Unidos. Não me incluo nestas pessoas. Para que cessar com o friozinho na barriga ao esperar uma semana pra saber se o Charlie vai morrer ou se a Sun vai ser sequestrada? Que graça iria ter se eu não tivesse ficado uma semana pensando que o Jack tinha virado casaca e se bandeado pro lado dos outros?
Bom, eu gosto de sofrer. E não sofro sozinha. Compartilho da mesma agonia do Sawyer ao encontrar o verdadeiro Sawyer, todas as semanas.Além disso, a reparto com minha irmã. Depois das 22 horas de toda segunda-feira, a agonia recomeça.
Se bem que esta será a última segunda-feira importante do ano. Na terça-feira entro na Lostpedia pela última vez e dou uma espiada no resumo dos episódios e nas curiosidades. Se bem que a Lostpedia é um veneno. Um veneno que eu não soube dosar corretamente na sexta-feira passada e acabei por provar.
Eu li o final de Lost. Li o final. Eu li o final de Lost. (Acho que preciso repetir isso umas mil vezes até acreditar no que fiz!)
De nada adiantaram os avisos de “Atenção! O trecho a seguir contêm spoilers”. Malditos, malditos, malditos!! Estragaram meu final de semana e talvez arruinem a minha segunda-feira.
Eu já desconfiava que o flashback que apareceu no útlimo episódio se passava no futuro. Eu sabia que o Jack não era tão atordoado assim antes de cair na ilha. Eu desconfiava que a mulher dele não poderia ter ficado grávida tão rápido depois da separação. Eu sabia que um outro médico não iria assumir o posto dele se ele ainda estivesse completamente são e na ativa. Eu já sabia, mas não queria ter lido.
Pois é. Jack e Kate fora da ilha 3 anos depois. Será que é isso mesmo?
Spoilers só funcionam quando não deviam. Geralmente, costumam apresentar defeitos quando se realmente precisa deles. O avião da Tam que o diga…
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Inferno é o lugar destinado ao suplício eterno das almas condenadas. É o tormento infinito, uma vida de martírio para toda a eternidade. O inferno é quente, o diabo tem rabo vermelho e os calderões estão a mais de 1000 graus Celsius. Isso é o que dizem.
Se eu fosse para o inferno, me adaptaria facilmente ao calor. Uma sauna, quando bem regulada, não me parece tão ruim assim. Sem contar que eu prefiro uma eternidade quente e com sol à pino do que passar o resto dos meus dias na Antártida, por exemplo.
O inferno é subterrâneo, se localiza nos confins do núcleo da Terra, mas ninguém nunca voltou de lá com o mapa do caminho. Ultimamente, eu acredito que o inferno mudou de lugar. Ou, então, a humanidade sempre voltou o olhar pro lado errado.
O inferno brasileiro são os céus. Seja pelo caos aéreo que impede aeronaves de decolar e lota os saguões dos aeroportos. Seja pelo acidente da Gol no ano passado que matou dezenas de pessoas inocentes por causa da cegueira dos controladores de vôo. Seja pelo avião da TAM que decolou ontem de Porto Alegre e foi acabar estatelado dentro da TAM Express em São Paulo.
O Brasil tem péssima estradas. O Brasil não tem trens interestaduais. O Brasil sequer tem trens. Não temos nada. Somos um povo esperançoso, mas sem nada. Nosso presidente não é capaz nem de desmarcar a consulta ao oftalmologista para discutir questões do governo. Nosso presidente não é capaz.
Não é possível que em um país com tal extensão territorial não exista uma pessoa capaz de controlar crises nacionais, fazer as reformas necessárias e igualar o povo de maneira igual. Enquanto isso, a dona Maria continua recebendo a bolsa família e está pouco se importando se um ou dois aviões deixaram de decolar ontem.
