A ocasião pede trajes especiais. Calças azuis, blusas largas e verdes, toucas brancas com luvas beges. Um verdadeiro desfile de cores pálidas sem trilha sonora. Não é baile de máscaras, mas todos as usam. O cheiro de álcool domina o ar. De repente, a tão aguardada adentra o salão. As luzes arrendondadas no teto tornam à convidada especial. Alguém pede que ela ocupe logo seu lugar: A maca no centro da sala.
Os lençóis são brancos e macios. Há um pequeno travesseiro sobre o qual encosta a cabeça e tenta relaxar. O avental que usa deixa as costas a mostra e é retirado para que o procedimento se inicie. O braço direito, esticado ao longo do corpo, recebe o medidor de pressão. São colados três adesivos redondos no peito. Posicionados estrategicamente para, ligados a cabos, lerem o que diz o coração. “Uma vez eu adivinhei o nome da menina que um paciente gostava só olhando no monitor. Nem ele acreditou”, brinca a doutora. A mão esquerda é picada pela agulha, e o líquido incolor da seringa nada pelo cano transparente a procura da veia.
“Não olha para mim senão vai sonhar comigo. É melhor pensar no Brad Pitt ou George Cloney. Se bem que eu acho que eles já eram”, diverte-se o dentista. A anestesista protesta, afirmando que Pitt e Cloney são eternos. A paciente ainda pode ouvir as risadas tímidas das enfermeiras, que queriam arriscar um palpite, mas não o fizeram a tempo. As luzes brilham um pouco mais do que antes, e as pálpebras não se sustentam. É hora de dormir.
Acordar depois de anestesia geral é uma experiência única. Deve ser algo próximo a ressusitação ou a casos de quase-morte. A cama de hospital nada lembra o gramado verde e úmido sobre o qual se andava. Ele recobre a montanha até o horizonte e lembra os desenhos de infância com aqueles vales intermináveis em forma de M. Não há tunéis, nem luzes no fim deles. Apenas o início da dor que não existia (ou que não era sentida até então).
A noção de abertura dos olhos é nula. Não se sabe mais como respira, nem qual o tom de voz mais adequado a uma CTI, muito menos se o coração está a bater. O esforço que se faz é para retornar ao sonho. “Está tudo bem. Já acabamos”, disse alguém. A enfermeira coloca os tubos verdes de oxigênio no nariz enquanto outra injeta um pouco mais de anestésico. “Deixa ela dormir”, alguém sugere.
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Capa do site do Big Brother Brasil no sábado, 7 de fevereiro
Ridículo talvez seja o adjetivo mais apropriado para descrever o que aconteceu na sexta-feira, 6 de fevereiro, na versão brasileira do reality show Big Brother. A prova pela liderança da semana havia acontecido na quinta, e Ralf foi o vencedor. No desempate contra Priscila, conseguiu catar o maior número de chinelos do patrocinador. Porém, na sexta-feira aparece a notícia de que ele seria destronado, pois colocou chinelos no cesto após o término do tempo.
Não foi má fé. Os movimentos do corpo humano talvez respondam mais rapidamente que o entendimento de comandos vocais. Ele largou o chinelo no cesto por reflexo. Apesar disso, Pedro Bial foi extremamente grosso ao dar a notícia ao participante, repetindo o vídeo do crime em flagrante por três vezes para que esse tivesse certeza do veridicto: Culpado!
Mais do que ridículo. Pedro Bial achou estar na sala de casa discutindo com sua mulher na sexta-feira. Pode ser que o diretor da atração Boninho estivesse a gritar no ponto em seu ouvido, mas mesmo assim a grosseria não se justifica. Na vida real, as pessoas têm a possibilidade de se explicar caso episódio semelhante ocorra. Se o programa transpõe a realidade humana em confinamento forçado 24 horas por dia, por que não deixar Ralf justificar, mesmo que inutilmente, seu ato falho?
O pior de tudo foi acessar o site do programa na noite de sábado e me deparar com a manchete “Produção da TV Globo erra: vídeo da prova do líder é exibido sem áudio”. Ao meu ver, apenas uma tentativa fajuta de justificar a grossura do apresentador. A produção do programa errou sim. Errou ao não fiscalizar a prova do líder no momento que ela estava sendo realizada. Pecou também por não conferir o vídeo e deixar, muito provavelmente, que o público denunciasse o ocorrido. E não é a primeira vez. Na edição 7 do programa, ocorreu caso semelhante em uma das provas pela liderança.
Dica útil: Que Pedro Bial faça aula de yoga e que Boninho escolha melhor seus produtores. Aliás, meu currículo está à disposição.
Embora as pautas sobre o aquecimento global estejam em baixa, todos sabem que uma mudança climática planetária é inevitável. Seja pelas vias naturais, pois há leis que regem a Terra e fazem com que seu clima mude de tempos em tempos – eras, ao que se sabe -, ou pela ação humana depredadora, como o aumento geométrico da população e poluíção, as catástrofes serão chamadas assim até que o homem se acostume com sua nova rotina.
Há de se creer que os primeiros efeitos estejam se apropriando do território brasileiro, desde o furacão Catarina, que atingiu as praias gaúchas e catarinenses em 2004, passando pelas enchentes em Santa Catarina na finaleira de 2008, até as novas chuvas no extremo sul do país logo no início de 2009. A passagem do Katrina por Nova Orleans em 2005 exemplifica a projeção catastrófica em escala mundial, muito embora os norte-americanos estejam mais acostumados com tormentas e furacões do que os colegas mais ao sul do continente.
Se é culpa do aquecimento global? Não sei especificar (ainda não possuo o diploma de geógrafa – favor frisar o ainda). Se há como reverter esse panorama? Chuto que não. Se tende a piorar? Apostaria algumas fichas nisso. E agora, quem poderá nos ajudar?
Nem Capitão Planeta, nem Jefferson Simões. É provável que ambos nada possam fazer com seus super poderes. O jeito é abrir um curso teórico-prático para ensinar aos brasileiros o que fazer em caso de furacão, porque as tormentas de verão tendem a se repetir nos próximos anos. Sorte que o Brasil está sobre a mesma placa tectônica, assim, pelo menos não é necessário aprender o que fazer em caso de terremotos.

O corte de Alice Cullen
Toda vez que entro no meu blog e vou verificar as estatísticas de visitas me deparo com “corte de cabelo de Alice Cullen” como um dos termos mais procurados que fazem chegar ao Cala Boca Fernanda. Também adorei o cabelo da vampira-irmã-emprestada do Edward, mas nem por isso fiquei pesquisando na internet sobre “como cortar o cabelo de modo que fique igual ao da moreninha Cullen do filme”.
Aliás, pesquisei sobre isso no Google. Logo no primeiro resultado aparece um tópico no fórum do Yahoo no qual alguma fã do corte pergunta a quem souber responder como imitar as madeixas. Ela ainda completa dizendo que seu cabelo é “grande e liso”. Quanto papo furado!! Amiga, imprime uma foto da Alice, vai em um salão legal e tá feito o carreto. Até porque a atriz Ashley Greene também tinha cabelo comprido antes de encarnar Alice.
Engraçado mesmo foi me deparar com o Jasper’s Army, uma espécie de comunidade dedicada ao namorado de Alice em Crepúsculo. Achei tosco, mas é engraçado. Especialmente na parte em que fazem descrições sobre o passado dos outros personagens da trama – se alguém descobrir a moral da coisa, me explique.
Enfim, lamento informar que em meu blog não será impossível encontrar a receita do corte de cabelo de Alice Cullen – minha vampira favorita. Mas, pesquisando bem, achei esse blog aqui que pode ajudar. Tudo indica que o cabelo da Alice é o tal de Pixie Cut, que faz também a cabeça de Rihanna, Victoria Beckham, Mariana Ximenes, entre outras.
Aqui em casa, a árvore de Natal está pronta. Tem bolas vermelhas e douradas, de diversos tamanhos e 300 luzinhas que não piscam, pois minha mãe não gosta de coisas piscantes. Uma das arvorezinhas do pátio também está iluminada, acho que para contagiar os passantes com o espírito natalino ou mostrar aos vizinhos que estamos entusiasmados com o Natal – o que é uma grande mentira.
Não sei se quando crescemos o Natal perde a graça, se a falta de neve acaba se tornando constrangedora com os anos – já que imitamos o “estilo europeu/americano de celebrar o nascimento de Cristo -, se os presentes estão caros demais em época de crise mundial ou se, simplesmente, esse negócio de Noite Feliz se tornou balela no século XXI. Fato é que, aqui em casa, comeremos chester mais uma vez, teremos arroz “colorido”, espumante para os adultos e refrigerante para as crianças – que já são adultas.. -, bem como apenas uma parte da família reunida.
Não acho mais graça no Natal e estou completamente desempolgada. No mesmo saco, coloco meu aniversário, que acaba por perder o sentido com tanto desentusiasmo – até porque, não me apetece comemorar minha velhice.
Faltando apenas uma semana para o grande dia - hahaha - penduramos hoje o Papai Noel na sacada, gesto que encerra a decoração natalina deste ano. Eu e minha mãe ficamos preocupadas ao colocá-lo amarrado por uma cordinha dourada na luminária, pois não ficaria bem se ele parecesse estar sendo enforcado. No fim, ele está lá bem feliz embalando para frente e para trás. Apesar disso, ainda acho que enforcar o Natal seria uma boa idéia.
Como diz minha mãe: “Depois do aniversário da tua irmã, em outubro, deveríamos pular diretamente para o meu, em março”. Concordo plenamente. Melhor que matar o Natal seria enforcar o final de ano inteiro.
Deve ser fácil promover uma guerra. Compra-se uma centena de armas, abre-se inscrições para alistamento de jovens que buscam um pouco de dinheiro e muita aventura, arranjam-se aviões, tanques e submarinos, algumas tendas, comida e água. Depois disso, é só migrar para o local de combate.
De preferência, a guerra deve se estabelecer longe do lar daqueles que brigam. O exército que trava a batalha não quer correr o risco da bala perdida ou ter manchas de sangue na calçada. Fica mais fácil quando a guerra parece distante.
A distância faz com que se enxerngue mal o rosto de quem está do outro lado das trincheiras. Seria mais difícil matar um formiga se pudéssemos ver sua expressão facial, saber um pouco sobre a sua vida e tomar um chá em sua casa de vez em quando. Imagine pisotear um ser infinitas vezes menor que o homem se fosse possível enxergar um sorriso em seu rosto. Ou então bombardear um formigueiro no dia do aniversário da rainha ou justo quando estão nascendo milhões de filhotinhos.
O interesse justifica a destruição. É mais barato matar do que conversar. Torna-se melhor pagar do que oferecer oportunidades. Talvez uma bomba nuclear liquide em alguns milésimos de segundos um problema que poderia se alastrar por décadas.
Antes da guerra acontecer só há vítimas: Pessoas que se sentem injustiçadas por qualquer motivo e batalharão em prol daquilo que julgam correto. Depois, sobrevivem algum heróis: Vítimas que não apontam mais os inimigos e apenas enxergam mais vítimas do outro lado da trincheira.
