
Vampiros e mais vampiros
Levei apenas dez horas para ler as 380 páginas de Crepúsculo. Foram dez horas seguidas, iniciadas às 4 da manhã de domingo. É simplesmente impossível parar, ainda mais depois que se viu o filme e sabe-se o que está por vir nas próximas linhas.
Recomendo o livro especialmente após a ida ao cinema. É mais fácil partir para a leitura quando os personagens têm rostos definidos (e é tão bom passar a madrugada lembrando Edward Cullen). Além disso, o livro contém passagens que não são mostradas no filme, como a transformação de Carlisle e Alice, e o porquê do interesse do predador por Bella.
Na comparação fica claro que o roteiro cinematográfico foi adaptado, uma vez que se suprimiram certas cenas e emendaram-se alguns trechos, principalmente nas partes em que a protagonista descobre os segredos do amado. Uma pena é a retirada do episódio em que Bella passa mal na aula de Biologia após sentir cheiro de sangue (antes que perguntem, Edward matou aula nesse dia).
Entre os pontos positivos está a preservação de grande parte das falas principais, como o trecho em que Bella diz nunca ter imaginado a forma como ia morrer, mas que achava nobre morrer por alguém que ama, ou então quando ela questiona Edward sobre sua idade e ele alega ter 17 anos há algum tempo (o que ficou um ótimo chamariz no trailer do longa). A família Cullen está muito bem representada no filme e é exatamente como o descrito no texto de Meyer. Até mesmo o corte de cabelo de Alice, a exuberância de Rosalie e a beleza de Carlisle são exatas. Bella e Mike também ilustram com exatidão seus personagens literários. Jacob aparenta ser um pouco mais velho no cinema, pois no livro tem 14 ou 15 anos.
Achei a Bella do livro mais melosa e chatinha ao compará-la com a do filme, o que representa um avanço na adaptação. O chefe de polícia Swan parece mais frio no texto, e a lanchonete onde jantam existe apenas no roteiro cinematográfico. Além disso, as caçadas dos vampiros maus provavelmente foram inventadas para explicar ao público rapidamente quem são eles e como surgiram, pois no livro eles aparecem em Forks apenas no dia do jogo de beisebol da família.
Um ponto interessante é que o livro explica seu título. Crepúsculo é o marco do início da noite. Aquele momento em que o Sol já desapareceu no horizonte, mas seus raios ainda colorem o céu, iluminando a noite. Em Geografia chama-se efemérides noturno, a hora exata em que o dia torna-se noite.
Aliás, poderia citar inúmeras considerações sobre as obras, mas acho que vale a pena descobrir as diferenças entre literatura e cinema sozinho. Pretendo ler Lua Nova logo no início de 2009. Uma amiga me disse que é melhor do que o primeiro, mas eu duvido. Gostaria de ver o filme antes, mas acho difícil aguardar até o final do próximo ano. E ainda tem Eclipse depois.

Edward Cullen e Isabella Swan em Crepúsculo
Crepúsculo é um conto de fadas do século XXI. A trama simples, da forasteira que se apaixona pelo garoto que não se interessa por nenhuma das meninas da cidade, se encaixaria em qualquer época histórica. A adolescente Isabella se muda para Forks a fim de morar por um tempo com seu pai, chefe de Polícia. É na cidade de três mil habitantes que Bella se interessa por Edward Cullen, seu colega nas aulas de Biologia.
Edward guarda consigo um segredo: Tem 17 anos há quase um século. Ele e toda a família Cullen são vampiros. O filme dirigido por Catherine Hardwicke é baseado no livro de Stephenie Meyer, premiado e aclamado pela crítica em 2008.
Na contemporânea história de vampiros, os vestidos armados são trocados por calças jeans, o computador e o acesso ao Google substituem os escritos em diários, assim como os banquetes à luz de velas se tornam latas de cerveja, hambúrguer de lanchonete e futebol em TV de tela plana. Kristen Stewart vive Bella, e o Cedrico Diggory de Harry Potter, Robert Pattinson, interpreta Edward Cullen.
Na trama, Edward e Bella se gostam de maneiras diferentes. Ele reluta e calcula movimentos temendo seu próprio instinto de sede pelo sangue da amada. Ela se demonstra hipnotizada pelos mistérios e história de vida do vampiro, e prova ser capaz de morrer no lugar da pessoa que ama.
A paixão cresce de tão modo que para Bella importa apenas ficar junto a Edward. Ela gosta de se sentir protegida pelo amado – que é capaz de fazer isso muito bem, pois além de super veloz e forte, pode ler mentes – e somente teme não viver tempo suficiente para ficar ao lado dele. Edward se vale de seus sentidos aguçados para ficar próximo a Bella, inclusive visitando seu quarto à noite para observá-la dormir.
Edward Cullen faz Mr. Big de Sex and the City parecer brochante. Aliás, o vampiro consegue tornar desinteressante qualquer uma das paqueras de Carrie Bradshaw e suas amigas, símbolos da busca pelo pretendendo ideal. O filme encanta pela forma como se desenvolve a história de amor entre a humana e o vampiro. Uma paixão livre da libido, sedução e desejo sexual. Os dois se bastam apenas com a presença um do outro. São duas horas de olho no olho à moda antiga. O verdadeiro amor à primeira vista é digno de conto de fadas.
Em Crepúsculo, a posição social, roupas da moda e sexo não importam. Os protagonistas trocam poucos beijos, pois é difícil para Edward resistir ao sangue de Bella. Os cenários arrojados – como Nova York ou Paris – também não implicam. Forks é uma cidade de interior, com dias nublados, chuvosos e frios na maior parte do ano.
A antiga fórmula da mocinha apaixonada pelo vilão que na verdade é bonzinho prova ainda funcionar. Uma amostra de que até mesmo em tempos de mais sex do que city o amor encanta, nem que seja em páginas de livros ou telas de cinema.
Agora é esperar para ver nas telonas a seqüência das histórias de Meyer. Bem como torcer para que Edward seja capaz de transformar Bella em vampiro.
Acho ridícula essa história de dois-patinhos-na-lagoa. É muito lugar comum afirmar que os 22 anos de uma pessoa se resumem à semelhança dos números com aves. Aliás, creio que seja apenas essa a utilidade da nova idade. Os 22 não transpassam nenhuma barreira, não oportunizam novos direitos legais, nem fazem notar o acúmulo de maturidade. São apenas a prova que se viveu duas décadas e dois anos ilustrados pela tolice dos tais patinhos.
Mesmo com a revolta de Peter Pan ao compreender que estou comemorando 22 anos no dia 21 de dezembro, simpatizo em fazer retrospectivas no aniversário. Não costumo ter muita sorte em anos pares, mas aprendi a conviver com isso. Em 2008, aos 21 anos, me tornei jornalista. Finalmente consegui colocar um ponto final no segundo semestre da Geografia e planejo estudar em Portugal no próximo semestre.
Foi neste ano que conheci o Rio de Janeiro de cabo a rabo e passei alguns dias em Goiânia. Fiz compras em Rivera e compareci em mais um rodeio de Bagé. Larguei meu estágio-bom-demais e embarquei numa campanha política. Com o diploma na mão, pulei de freela em freela em busca de experiência. Minha networksó cresce à medida que me desanimo cada vez mais com Porto Alegre.
E, novamente, dezembro bate à porta. A decoração dos shoppings este ano está um pouco mais cafona ou, talvez, eu tenha me esquecido da empolgação natalina de outrora. O ano correu depressa, mas eu ainda não consigo aumentar a velocidade da esteira na academia. Fico a passos rápidos, sem exagerar na pressa para não perder o ritmo.
Em janeiro e fevereiro curti a empolgação das férias que estavam por vir, conheci muita gente na Conferência Mundial que trabalhei e aproveitei o carnaval de Laguna mesmo com uma faringite mal curada. Em março, fiquei sem carro por quase um mês, pois sofri um acidente. Foi também no terceiro mês do ano que comecei a orientação da minha monografia: “Cinco páginas por semana”, disse Juremir Machado da Silva logo no primeiro encontro.
Passei abril e maio entre livros. Restaurei minha veia nerd e li nos finais de semana, feriados e viagens. Em junho, me afundei na análise do meu tema e conclui a faculdade com nota 10 na prova final: O tal de TCC.
De julho só lembro de gritos. Foi gritaria para organizar a festa, comprar o vestido, imprimir os convites e decidir quem convidar. Gritei tanto na formatura que perdi a voz mesmo sem beber. Aliás, provei que não necessito de álcool no sangue para me alterar.
A comemoração do dia 25 de julho prosseguiu na semana seguinte, quando fui convidada para trabalhar na campanha eleitoral à Prefeitura de Porto Alegre. No dia 31 estava eu perdida no debate da Rede Bandeirantes imaginando como deveria se portar uma assessora de imprensa. Fechei a campanha em outubro dando entrevista sobre minha atuação como assessora política.
Agosto, setembro e parte de outubro praticamente não existiram. Foram semanas de correria, choro, momentos engraçados e muitos telefonemas. Ganhei um segundo celular e não tinha tempo nem para roer as unhas. Com o fim do primeiro turno, acabou meu trabalho temporário. Após uma sexta-feira de folga embarquei em uma nova missão como assessora durante outubro e parte de novembro.
E, novamente, chega o mês do meu aniversário. Lembro com clareza de todas as 20 e tantas vezes que comemorei minha velhice. Sempre são poucos convidados. Às vezes não por falta de gente para convidar, mas de disponibilidade dos amigos para comparecer. Nascer coladinha com Jesus é complicado: Na maioria das vezes resulta em somente um presente de aniversário e Natal. Apesar disso, tem suas vantagens: Emenda-se toda comilança do final de ano na mesma semana.
Em 2008, tomei coragem e coloquei meus pés (mãos, braços, pernas, barriga e glúteos) em uma academia pela primeira vez na vida. Agora malho todos os dias e músculos viraram meu único assunto em rodas de conversa. Lembrei durante o ano inteiro da promessa que fiz quando achei que era carioca: “Vou festar tanto no Rio que não preciso sair de casa pelo resto do ano”. E dito e feito. Saí de casa algumas vezes sim, mas não precisei de diversão propriamente dita para ficar alegre, só das lembranças de fevereiro.
Assim, percebo que devo ser mais feliz sozinha. Estar só me permite conhecer o mundo melhor, fazer o que der na telha e falar com quem eu julgar interessante. É bom ter amigos e família. Não os renego. Só tenho medo de me tornar mais provinciana à medida que perco a noção do tamanho do mundo por acomodação. Por isso, estipulo que 2009, mais do que nunca, será um ano de mudanças. A começar pelas escalas do mapa mundi.
Melhor seria comemorar só um dos dois hoje e não os dois tudo junto e ao mesmo tempo.
Aqui em casa, a árvore de Natal está pronta. Tem bolas vermelhas e douradas, de diversos tamanhos e 300 luzinhas que não piscam, pois minha mãe não gosta de coisas piscantes. Uma das arvorezinhas do pátio também está iluminada, acho que para contagiar os passantes com o espírito natalino ou mostrar aos vizinhos que estamos entusiasmados com o Natal – o que é uma grande mentira.
Não sei se quando crescemos o Natal perde a graça, se a falta de neve acaba se tornando constrangedora com os anos – já que imitamos o “estilo europeu/americano de celebrar o nascimento de Cristo -, se os presentes estão caros demais em época de crise mundial ou se, simplesmente, esse negócio de Noite Feliz se tornou balela no século XXI. Fato é que, aqui em casa, comeremos chester mais uma vez, teremos arroz “colorido”, espumante para os adultos e refrigerante para as crianças – que já são adultas.. -, bem como apenas uma parte da família reunida.
Não acho mais graça no Natal e estou completamente desempolgada. No mesmo saco, coloco meu aniversário, que acaba por perder o sentido com tanto desentusiasmo – até porque, não me apetece comemorar minha velhice.
Faltando apenas uma semana para o grande dia - hahaha - penduramos hoje o Papai Noel na sacada, gesto que encerra a decoração natalina deste ano. Eu e minha mãe ficamos preocupadas ao colocá-lo amarrado por uma cordinha dourada na luminária, pois não ficaria bem se ele parecesse estar sendo enforcado. No fim, ele está lá bem feliz embalando para frente e para trás. Apesar disso, ainda acho que enforcar o Natal seria uma boa idéia.
Como diz minha mãe: “Depois do aniversário da tua irmã, em outubro, deveríamos pular diretamente para o meu, em março”. Concordo plenamente. Melhor que matar o Natal seria enforcar o final de ano inteiro.
Deve ser fácil promover uma guerra. Compra-se uma centena de armas, abre-se inscrições para alistamento de jovens que buscam um pouco de dinheiro e muita aventura, arranjam-se aviões, tanques e submarinos, algumas tendas, comida e água. Depois disso, é só migrar para o local de combate.
De preferência, a guerra deve se estabelecer longe do lar daqueles que brigam. O exército que trava a batalha não quer correr o risco da bala perdida ou ter manchas de sangue na calçada. Fica mais fácil quando a guerra parece distante.
A distância faz com que se enxerngue mal o rosto de quem está do outro lado das trincheiras. Seria mais difícil matar um formiga se pudéssemos ver sua expressão facial, saber um pouco sobre a sua vida e tomar um chá em sua casa de vez em quando. Imagine pisotear um ser infinitas vezes menor que o homem se fosse possível enxergar um sorriso em seu rosto. Ou então bombardear um formigueiro no dia do aniversário da rainha ou justo quando estão nascendo milhões de filhotinhos.
O interesse justifica a destruição. É mais barato matar do que conversar. Torna-se melhor pagar do que oferecer oportunidades. Talvez uma bomba nuclear liquide em alguns milésimos de segundos um problema que poderia se alastrar por décadas.
Antes da guerra acontecer só há vítimas: Pessoas que se sentem injustiçadas por qualquer motivo e batalharão em prol daquilo que julgam correto. Depois, sobrevivem algum heróis: Vítimas que não apontam mais os inimigos e apenas enxergam mais vítimas do outro lado da trincheira.
