Na última aula de Escrita Criativa, o professor Charles Kiefer substituiu Assis Brasil. Mal os colegas ficaram sabendo de quem ministraria a aula, começaram os comentários. “Se o Assis é mansinho, Charles critica tudo”; “O Assis nem se importa que conversem em aula, mas o Charles pára de falar”.
Realmente, Charles Kiefer esboça mais ditatoriedade e é mais enérgico. Trouxe um conto do escritor que, segundo ele, ficaria em quarto lugar no “Top 10 melhores escritores brasileiros de todos os tempos”. Recomendou ainda o “melhor livro da literatura brasileira”, cujo o autor nenhum aluno presente conhecia.
Depois da leitura do conto e do debate em close read, Charles comentou: “Quanto mais diferente um casal é, menor é a duração do relacionamento”. Obviamente, o recado estava inserido no contexto da aula, algo que não pretendo reproduzir em meu breve comentário. Prosseguiu: “Tive uma dúzia de mulheres, fui casado vários vezes, tenho inclusive duas filhas com mulheres diferentes”. Nostalgicamente, remeteu a uma namorada que teve: “Era uma maravilha na cama, mas uma transa era equivalente a 28 dias aterrorizantes… a mulher enloquecia”, comentou com a turma.
O conto inspirou ainda comentários dos colegas. “Nenhum homem fica assistindo o jogo do Inter se a mulher se despe na frente da tv”; “O casal pode ter até brigado, mas basta a mulher tirar a blusa que fica tudo bem”; “No mínimo ela estava sempre se fazendo pra dar pro cara, até que ele cansou e rejeitou quando ela quis”.
Hilário. Uma das poucas boas aulas que tive em dias chuvosos.
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Fora de contexto ficou pesado. Procuro sempre trabalhar com meus alunos a diferença da dialética da aula e a falta de dialética de um comentário postado. Dias atrás, correu mundo uma foto de Obama olhando para uma jovem, numa escadaria. A Michele Obama deve ter ficado uma arara. Dias depois, se soube que Obama ajudava outra mulher a subir a escada e a ilusão fora criada pelo ângulo da objetiva.
Comentário por charles kiefer 16 16UTC Julho 16UTC 2009 @ 5:23 PMPela tua descrição, sou um monstro. No contexto do conto lido em aula, meus comentários não tinham a gravidade do que colocaste aqui. Talvez, em Juízo, em tenha que recorrer a outros testemunhos, já que não houve apenas uma pessoa naquela sala.