Tudo o que eu tô afim de falá e ninguém tá afim de ouví


Quase que não foi real
24 24UTC Maio 24UTC 2008, 9:30 PM
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Hoje acordei com medo de zumbis. Não dos que andam cambaleando, como se sofressem de deficiência respiratória, e que mantém os braços esticados. Temia os que correm maratonas e conservam dentes afiados.

Estava na garagem de casa, conversando com minha irmã e embrulhando alguns livros para não molharem. O outro sobrevivente que dividia a casa conosco apareceu e perguntou se era muito tarde para tomar banho. O relógio marcava cinco horas e eu disse que, se ele nos ajudasse a levar as cadeiras até o quarto, não teria problema.

Ao todo foram seis. Meia dúzia de cadeiras de metal claro com os estofados brancos. Eram leves e, com o trabalho em equipe, não tivemos dificuldades para subi-las. Fechei a porta e disse: “Tá, vai rápido pra esse banho que eu só vou tomar o meu amanhã”.

O sol se pôs e barulhos estranhos rondavam a casa. Minha irmã sentara-se na cama e observava perplexa os movimentos. “Desiste do banho e leva nossas coisas para a outra peça porque a porta não vai agüentar”. Eu estava com medo que a cabeça de um daqueles bichos nojentos passasse pelo vão da porta e ele me mordesse sem dó.

Meus dois companheiros jogavam nossos pertences para dentro da peça menor e eu me esforçava para segurar os demônios do lado de fora. “No três você larga e vem correndo pra cá”. Em menos de dois minutos levaram tudo o que era importante para o quartinho 3mx2m que antes deveria ser o closet do quarto de casal. Soltei a porta de entrada e corri. Não deu tempo de chegar até a outra.

Estava tão assustada que, quando acordei, demorei uns três ou quarto segundos para lembrar onde estava. Paredes laranja, mapa do Brasil e porta-retratos com rostos familiares. Levantei e vi que o celular acusava oito e cinqüenta e oito da manhã.