Tudo o que eu tô afim de falá e ninguém tá afim de ouví


O que aconteceu com a baleia?
10 10UTC Abril 10UTC 2008, 3:18 PM
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Na última aula de Escrita Criativa, ministrada pelo professor/escritor Luiz Antonio de Assis Brasil, foi pedido que fizéssemos um texto explicando “O que aconteceu com a baleia?”. Inúmeras versões surgiram para o fato. Eis a minha descrita abaixo:

Depois de mais um domingo com almoço em família, a mãe e a avó juntam os restos e recolhem os pratos. As crianças correm para o pátio. Os adolescentes, ou “crianças maiores” como são chamados pela avó, disputam o controle remoto na sala. “O que eu faço com os ossos?”, questiona o pai. Ao ver o cachorro na porta, pensa que seria uma boa idéia dar ao Bilú um presente dominical.

Sábado foi dia de pescaria. Seu Adão levantou cedo, e pegou a térmica com café que a mulher preparara na noite passada. Já passava das 9h e nada de paixe. Às 15h voltou para casa com as mãos vazias. Quando entrou pela porta dos fundos, que dava direto na cozinha, a filha o surpreendeu: “Pai, corre lá pra praia que tão partindo a baleia”. Confuso e cansado, Adão obedeceu. Foi até a praia e avistou a multidão que se reunia com facões e serras.

“Tem pra todo mundo”, gritava o policial. Os pescadores que não faturavam há mais de duas semanas cortavam os pedaços do animal morto. Encalhada na praia desde a noite de sexta, a baleia não resistiu. Os ambientalistas sugeriram que fosse dividida entre os habitantes da ilha, já que saria muito trabalho, causando até maiores estragos, se fosse rebocada dali.

Depois de retornar à garagem de casa, munido de uma serra elétrica, seu Adão e o genro escolheram o pedaço que seria deles. Às 20h estava tudo resolvido. Pequenos restos de baleia sobraram na praia, e foi tudo colocado em uma balsa, com destino ao lixão da capital. As famílias de pescadores da pequena ilha de Guantatiba garantiram o almoço de domingo graças à baleia.

Ao final da aula, Assis Brasil completou: “Um escritor escreve sempre o mesmo livro”. Dessa forma, pediu que todos pensassem porque escreveram essa história para a baleia. Teve colega que fez o bicho virar mulher e gente que colocou-o pra entrevistar os moradores do fundo do mar. Outros preferiram descrever os habituais barcos “caça-baleias”. Eu fico pensando porque fiz da baleia pedacinhos.