Juliano VP, traficante, nascido e criado na Santa Marta agora comanda o narcotráfico no morro. Mas nem sempre foi assim. VP descende de uma família de nordestinos, que chegaram ao Rio de Janeiro na década de 70 e se instalaram na favela por falta de recursos. A maioria das famílias que moram ali é oriunda de outras regiões pobres da cidade e do país.
Em seu livro Abusado – O dono do Morro Santa Marta, Caco Barcellos narra a trajetória do menino que começou como “avião”, passando por traficante e “mula”, até chegar ao posto mais alto na favela: o controle das bocas de fumo. Em uma longa reportagem, o repórter é capaz de detalhar a vida do personagem, obter relatos, transcrever diálogos e contar passo-a-passo como e por que o protagonista de uma história também pode ser o vilão.
Se tratando de jornalismo, o livro não deixa a desejar em momento algum. É completamente circunstancial e factual, expõe a cada página os episódios da vida do criminoso e nunca tende pela opinião. A história não é apresentada na ordem cronológica correta, uma vez que a tendência do autor é explorar flashbacks. Já no primeiro capítulo ocorre essa disposição, já que certas ocorrências são retomadas no capítulo posterior para as devidas explicações.
É interessante notar em capítulos como “Bonde sinistro” e a “Guerra”, nos quais as batalhas pelo controle da região são descritas, a intensa participação da mídia brasileira e mundial na cobertura do acontecimento. Um repórter radiofônico consegue entrar no morro durante uma pausa no tiroteio e entrevista o então líder da gangue, Cabeludo.
O livro é dividido em duas partes, tempo de viver e tempo de morrer, sendo a primeira os momentos de ascensão na carreira do bandido e a segunda a decadência de sua presença no crime. Outro dado interessante é notar a partir das datas como funcionou a formação de uma das maiores quadrilhas que atua até hoje no Brasil: o Comando Vermelho
Uma coisa é certa: Abusado traduz no que a marginalização infantil pode se transformar com o tempo. Juliano VP – importante frisar que ao ler a obra se entende o porquê das duas letras incorporadas ao nome – é muito mais que um delinqüente provocador, ele teve a esperteza, ganância e atrevimento de disputar com os chefões do tráfico o comando do seu lar. Conhecendo a vida fácil e emocionante do crime organizado, se encurta o caminho para entrar na violência e nas drogas. Com certeza, nem todos favelados são criminosos, mas todos os criminosos são favelados.
* Texto achado na limpeza dos armários. Provavelmente escrito no quarto ou quinto semestre.
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porra gostei pakas dessa reportagem relata tudo oke keremos saber sobre essa comunidade sem fronteiras do morro do santa marta…
Comentário por anna karoline 19 19UTC Janeiro 19UTC 2009 @ 11:12 PMpros fiél presentes…muita féé em DEUS…