Um carro que ia de Curitiba para Florianópolis se chocou de frente com um caminhão, na BR 101. As condições de “reforma” da estrada propiciaram o acidente. Quatro jovens morreram. Ninguém estava bêbado, e um deles tinha 14 anos. Aliás, dois deles eram irmãos. Pretendiam pular carnaval em Floripa.
Não confio 100% na credibilidade da informação, pois não li isso em jornal, nem na Internet, e também não vi na tv. Minha mãe foi quem narrou o fato hoje no café da manhã. Acredito que seja verdade, mas talvez a narrativa não descreva fielmente os fatos.
Enfim, não cabe discutir quantos havia no carro e para onde estavam indo. Muito menos elencar o nome das vítimas de mais um carnaval. Certamente eles não foram os únicos a deixarem de viver depois de encarar uma das rodovias brasileiras. O que vale a pena discutir é o papel da mídia nisso tudo. Durante os cinco dias de carnaval eu só vi notícia de quem morreu. Nada sobre os vivos. Nada sobre quem viveu, quem festejou, quem foi prudente no carnaval.
A RBS, maior conglomerado de mídia do sul do país, acredita que presta um grande serviço à comunidade a partir de campanhas como “Isso tem que ter fim”. Como se a Sharon Menezes ou a Juliana Didone falando que não gostam de rapidinhas e de gente grudenta fosse adiantar grandes coisas.
Quem atenta para esse tipo de comercial com certeza não é o público alvo que a RBS almeja. Quem bebe, dirige mal, ultrapassa em faixa dupla e excede o limite de velocidade, está pouco se lixando se é a Sheron, a Juliana ou a tia do boteco da esquina que está dando conselhos na tv.
Não é fato comprovado, nem fruto de pesquisa empírica, mas me permito apresentar ocorrências que demonstram que a campanha da RBS está errada:
1. Quem financia os comerciais antitabagismo são as próprias empresas que produzem cigarros. Tudo bem que o governo as obriga a fazer isso, mas elas não devem se importar. Repetir alguma mensagem que lembre “cigarro”, “tabaco” e “fumaça” na tv, faz diferença. O telespectador lembra que cigarro existe, e que vendem na padaria perto de casa.
2. Outro exemplo é o recente surto de febre amarela. Duas pessoas ficam doentes, alguns macacos aparecem mortos e pronto: Fez-se o caos! Correria para os postos de saúde e falta de vacinas. Ninguém ouviu as notícias direito. Ninguém prestou atenção no fato de que a imunização durava dez anos. Teve muita gente que tomou superdose e passou mal depois.
3. Conversando com um gerente de uma loja de roupas, descobri que as semanas que registram mais vendas são aquelas nas quais os grandes magazines anunciam na tv. Anúncio da Renner ou da C&A, por exemplo, faz o público recordar que precisa de uma blusinha nova, que esqueceu de comprar presente de dia das mães ou que o filho está querendo um tênis.
Obviamente os causos acima citados refletem minha própria observação. Não é por isso que deixam de agregar alguma lógica. Até porque, na Antiguidade, os filósofos criavam dessa forma: Observando o mundo para construir o conhecimento.
Voltando à atualidade, retruco: Os comerciais da RBS só servem para evidenciar o fato de que se pode correr com um carro, que os automóveis são armas e que há inúmeras pessoas que não respeitam os limites. Além disso, é comprovado que seres humanos sentem prazer com a desgraça alheia. Sendo assim, a dor da perda demonstrada na tv tece uma realidade que não é minha.
Se alguma coisa tem que ter fim, que sejam os comerciais (mal feitos) da RBS. Se correr é o fim, repetir isso é o primeiro passo para mais desgraças.
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Concordo em gênero,número e grau com a matéria sobre a campanha da RBS.
Se a RBS quisesse diminuir os acidentes de trânsito nas estradas gaúchas e do país, deveria fazer algo concreto e não veicular propaganda com artistas gaúchas que brilham em novelas da Globo.
Aliás, como refere o articulista, propaganda de mau gosto.
Faria muito mais a RBS se apoiasse projeto de lei que tramita na Câmara Federal(PL nº 2176/2007) que institui bafômetro obrigatorio nos veículos nacionais, propondo bafômetro obrigatório para os carros nacionais. Os bafômetros referidos no projeto, impedem os carros de dar partida se o motorista estiver alcoolizado.
Se houver uma mobilização da sociedade amparada pela mídia para a aprovação do referido projeto, evitaremos um grande número de acidentes causados por motoristas que insistem em dirigir embriagados.
Projeto esse, bem melhor do que a Lei Seca imposta nas rodovias do País e que não vai funcionar.
“Já que não podemos impedir motoristas embriagados de sair dirigindo por aí, vamos então impedir os carros de circular com motoristas alcoolizados”
ca não apoiasbsuqe
Comentário por foguinho 21 21UTC Fevereiro 21UTC 2008 @ 9:52 PM