A nado. Esse é o modo pelo qual cerca de 800 imigrantes africanos cruzam o Mar Mediterrâneo diariamente rumo à Itália. A informação é do conferencista italiano Fortunato Ferrise, secretário da Federação dos Hoteleiros da região da Sicília, que presencia inúmeros imigrantes oriundos no norte da África ingressando ilegalmente no país europeu.
A Comunicação 14, realizada no dia 13 de fevereiro, na Conferência Mundial sobre o Desenvolvimento de Cidades, que ocorre até o dia 16 no Centro de Eventos da PUCRS em Porto Alegre, aborda o tema O Impacto das Migrações por Conveniência / Proposta sobre Políticas de Imigração.
Fortunato Ferrise, que também é proprietário de um hotel, apresenta propostas de intervenções a favor dos imigrantes, sugerindo assistência social e cultural por parte do governo italiano aos que vem de outros países. Ferrise destaca também que geralmente os políticos têm interesse em favorecer multinacionais e colocam fatores econômicos acima dos deveres sociais, dificultando a implantação de leis trabalhistas que poderiam favorecer a integração social. O palestrante ainda relembra que existe uma lei que protege os imigrantes que alcançam o solo italiano, favorecendo aqueles que adentram as praias sicilianas. “Os dados oficiais sobre imigração para a Itália não representam nem a metade do verdadeiro número de pessoas que entram ilegalmente no país”, salienta Ferrise.
O companheiro de mesa, Jaroslav Machecek, da República Tcheca, teceu palestra sobre um novo tipo de migração. O professor da Universidade de Economia de Praga e membro da Academia Tcheca de Ciências comentou sobre os impactos gerados pelas migrações. “A principal motivação é econômica. As migrações para países em desenvolvimento não são muito intensas, mas no futuro serão”, comenta o Machecek. O professor ainda cita um exemplo de migração que ocorre na cidade de Praga. Lá, o fluxo segue em sentido oposto e em trânsito permanente. As pessoas estão saindo da capital para morar nos arredores da cidade (região metropolitana e interior).
Um carro que ia de Curitiba para Florianópolis se chocou de frente com um caminhão, na BR 101. As condições de “reforma” da estrada propiciaram o acidente. Quatro jovens morreram. Ninguém estava bêbado, e um deles tinha 14 anos. Aliás, dois deles eram irmãos. Pretendiam pular carnaval em Floripa.
Não confio 100% na credibilidade da informação, pois não li isso em jornal, nem na Internet, e também não vi na tv. Minha mãe foi quem narrou o fato hoje no café da manhã. Acredito que seja verdade, mas talvez a narrativa não descreva fielmente os fatos.
Enfim, não cabe discutir quantos havia no carro e para onde estavam indo. Muito menos elencar o nome das vítimas de mais um carnaval. Certamente eles não foram os únicos a deixarem de viver depois de encarar uma das rodovias brasileiras. O que vale a pena discutir é o papel da mídia nisso tudo. Durante os cinco dias de carnaval eu só vi notícia de quem morreu. Nada sobre os vivos. Nada sobre quem viveu, quem festejou, quem foi prudente no carnaval.
A RBS, maior conglomerado de mídia do sul do país, acredita que presta um grande serviço à comunidade a partir de campanhas como “Isso tem que ter fim”. Como se a Sharon Menezes ou a Juliana Didone falando que não gostam de rapidinhas e de gente grudenta fosse adiantar grandes coisas.
Quem atenta para esse tipo de comercial com certeza não é o público alvo que a RBS almeja. Quem bebe, dirige mal, ultrapassa em faixa dupla e excede o limite de velocidade, está pouco se lixando se é a Sheron, a Juliana ou a tia do boteco da esquina que está dando conselhos na tv.
Não é fato comprovado, nem fruto de pesquisa empírica, mas me permito apresentar ocorrências que demonstram que a campanha da RBS está errada:
1. Quem financia os comerciais antitabagismo são as próprias empresas que produzem cigarros. Tudo bem que o governo as obriga a fazer isso, mas elas não devem se importar. Repetir alguma mensagem que lembre “cigarro”, “tabaco” e “fumaça” na tv, faz diferença. O telespectador lembra que cigarro existe, e que vendem na padaria perto de casa.
2. Outro exemplo é o recente surto de febre amarela. Duas pessoas ficam doentes, alguns macacos aparecem mortos e pronto: Fez-se o caos! Correria para os postos de saúde e falta de vacinas. Ninguém ouviu as notícias direito. Ninguém prestou atenção no fato de que a imunização durava dez anos. Teve muita gente que tomou superdose e passou mal depois.
3. Conversando com um gerente de uma loja de roupas, descobri que as semanas que registram mais vendas são aquelas nas quais os grandes magazines anunciam na tv. Anúncio da Renner ou da C&A, por exemplo, faz o público recordar que precisa de uma blusinha nova, que esqueceu de comprar presente de dia das mães ou que o filho está querendo um tênis.
Obviamente os causos acima citados refletem minha própria observação. Não é por isso que deixam de agregar alguma lógica. Até porque, na Antiguidade, os filósofos criavam dessa forma: Observando o mundo para construir o conhecimento.
Voltando à atualidade, retruco: Os comerciais da RBS só servem para evidenciar o fato de que se pode correr com um carro, que os automóveis são armas e que há inúmeras pessoas que não respeitam os limites. Além disso, é comprovado que seres humanos sentem prazer com a desgraça alheia. Sendo assim, a dor da perda demonstrada na tv tece uma realidade que não é minha.
Se alguma coisa tem que ter fim, que sejam os comerciais (mal feitos) da RBS. Se correr é o fim, repetir isso é o primeiro passo para mais desgraças.
