Tudo o que eu tô afim de falá e ninguém tá afim de ouví


The summer time
14 14UTC Outubro 14UTC 2007, 4:22 PM
Arquivado em: Melhor calar a boca

- Se aqui é engraçado, imagina no Acre.

Malhação às 15hs. A nova fase da novelinha adolescente da Rede Globo começa na segunda-feira, 15 de outubro. É dia do professor e dia de acordar mais cedo em Manaus. 

- Aqui, a maioria das coisas funciona conforme o horário de Brasília.

Desde o dia 14 de outubro, o sul, o sudeste e o centro-oeste do país anteciparam os relógios em uma hora. No norte, o Jornal Nacional vai começar duas horas mais cedo. No Acre, a novela das 9 deveria ser chamada de novela das 6.

- Daí não existe classificação etária. Vai ter criança assistindo programa da madrugada às dez da noite.

Bem vindos ao horário de verão! Aquele que pretende economizar de 4 a 5% da energia elétrica brasileira nos próximos três meses. Vai fazer os dias parecerem mais longos e as noites mais claras.

- Eu gosto do horário de verão. Dá pra assistir o Jô Soares antes de sair pra balada.

E deve dar mesmo. Se juntar mais uma hora ao fuso de diferença que já existe entre o norte e o sul do Brasil, o Jô começa em Manaus lá pelas 10 e pouco. Os compatriotas de Rio Branco ficam adiantados em três horas. Assim, a Tela Quente ou a Grande Família pintam na telinha às 20hs. Não há santo que coloque as crianças na cama tão cedo.

- Mas é divertido! 

E o país segue nessa de tentar controlar o horário solar até fevereiro. Promessa de evitar o apagão elétrico e a falta de água durante os três meses mais quentes do ano. Economia aos cofres públicos e samba para o povo até mais tarde.

(Obrigado a manauense Claudia Antony pelo depoimento sobre o horário de verão) ;)



censurado e inacabado: mas eu gosto dele!
13 13UTC Outubro 13UTC 2007, 8:59 PM
Arquivado em: Sem comentários

“Hoje tá cheio de homem aí”, disse o segurança da porta. Mas, logo na entrada, tinha umas siliconadas perto do banheiro, algumas pessoas com cabelos extremamente longos, salto alto, brilho, biquíni e saias. E ali só havia homens.

O ingresso custava R$5 e naquela sexta-feira, 4, tinha concurso de Drags. “Drag Queen” é o nome que se dá a homens que se fantasiam do sexo oposto. A maioria costuma fazer shows e apresentações em boates e festas, mas há aqueles que se vestem de mulher porque gostam. Geralmente as roupas são muito exageradas, cintilantes e cheias de paetês, refletindo cantoras pop norte-americanas.

“Transexual é quem se veste de mulher 24 horas por dia. Eu só sou mulher à noite”, diz Luciana Rios, também conhecido como Luciano. Com 30 anos, Lu é travesti há nove e admite que a família sabe há sete da sua opção: “Sempre fui gay, mas meus pais descobriram num programa de televisão que eu me travestia”, conta. Ele – ou ela – trabalha fazendo covers na noite, de Whitney Houston a Cristina Aguilera, por exemplo. Já fez apresentações em cruzeiros no Caribe e nos Estados Unidos, mas atualmente esconde da família sua identidade noturna: “Eu disse para eles que parei com isso”, admite.

Brenda Thompson, 27, é companheira de Luciana Rios em algumas performances. Ao contrário da colega, Brenda é transexual: “Sou mulher sempre e isso tudo aqui é meu”, fala exibindo o megahair e os seios de 550ml, recém colocados. Brenda é casada com um barman da casa: “Ele era noivo de uma mulher há sete anos e me conheceu. Desde então, estamos juntos e casados”, revela.

Transexual é um indivíduo que possui uma identidade de gênero oposta ao sexo designado. Geralmente a pessoa toma hormônios para ficar com características femininas ou masculinas e planeja uma cirurgia de mudança de sexo – ou já a relizou. Já o termo travesti se refere principalmente à quem apresenta sua identidade de gênero oposta a designada no nascimento, mas não almeja se submeter à Cirurgia de Redesignação Sexual, como é chamada. A travestilidade é uma questão de identificação e não uma orientação sexual. Portanto, os travestis podem ser homossexuais, heterossexuais, bissexuais ou assexuais.

Anna Forever tem 17 anos e é bissexual. “Namorei um menino por cinco anos, mas hoje fico com mais guria do que guri”, conta. Para ela, atualmente tem muito homossexual por modismo: “Todo emo virou homo” – se referindo à modinha dos emocore, os quais, geralmente, se vestem de preto, usam munhequeiras quadriculadas, cabelos pretos, franja penteada para o lado e escutam um tipo de música homônimo.

Ricardo, 32, e Ícaro, 18, estão juntos há cinco meses. Se conheceram por causa dos ex-namorados: “Ele namorava meu amigo e eu namorava um amigo dele”, narra Ricardo. “Foi amor à primeira vista”, expõe Ícaro que casou com o parceiro no dia 20 de março, numa cerimônia pública em uma festa GLS da capital.



O ser vermelho
6 06UTC Outubro 06UTC 2007, 4:56 PM
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Uma mão de unhas ruídas e nada dele entrar. A cutícula do cantinho do indicador teima em ficar invicta, mas, logo logo, será arrancada também. Não adianta, ele não vai entrar! Tem um dedo que sangrou um pouco antes e fez lembrar que ele está vermelho ainda. Vermelho!

Quem inventou o messenger, provavelmente não previu as unhas roídas e os dedos comidos. Para os solteiros, o programa de bate-papo é um terror. Além da agonia de esperar a pessoa-que-se-quer-que-fique-verde ficar verde, ainda conta-se com a possibilidade do bloqueio ou de ser ignorado.

Tudo o que mais se quer ouvir é aquele barulhinho-de-contato-ficando-online ou a janelinha-laranja-piscante com o nome dele. Daí é uma beleza e o messenger é adorado! A porcaria é se o contato não sai do vermelho há dias e começa-se a imaginar o que poderia ter acontecido: “Será que me bloqueou?”, “Será que anda muito ocupado?”, “Será que aconteceu alguma coisa?”.

O messenger é o salvador e o purgatório dos não-amados. (Parênteses: Ser um não-amado significa apenas não ter um alguém específico que te ame exclusivamente). Os livres de compromisso são capazes de gastar horas em frente ao computador esperando por certas-pessoas-verdes. A trova rola solta, encontros reais são marcados e as devidas explicações fazem a agonia ir embora momentâneamente.

Aqueles que não tem mais vagas disponíveis no coração, preferem deixar o programinha pra lá e aproveitar a vida real. Até porque, se o assunto é urgente, existem outras tecnologias para contato imediato, como o telefone celular.



A narradora
1 01UTC Outubro 01UTC 2007, 8:51 PM
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Certa vez um sábio me disse que o ser humano tem o direito de escolher o que quer ser da vida. Pode optar entre o papel de protagonista, de diretor, de codjavante, de escritor ou de narrador. Quando cheguei em casa hoje de noite, olhei para o céu estrelado e falei: “Até mesmo de dia as estrelas estão lá, a gente que não vê”. Conclui que sou uma narradora.

Narradora? Que papel michuruca. Narrador ganha créditos no final do filme?

Sentei e fiquei pensando em tudo o que eu sou capaz de narrar. Minha amigas me consideram a melhor contadora de piadas amorosas (sim, isso porque minha vida amorosa é uma piada!). Pra tudo eu tenho um comentário criativo-óbvio: aquelas palavras que são óbvias de dizer em certos momentos e aparecem na cabeça de todo mundo, mas só o narrador as diz. Eu narro os movimentos do prato dentro do microondas. Eu narro a previsão do tempo completa pra mim mesma todos os dias de manhã.

Resisti para criar meu blog, pois eu sabia no que ia dar: mais narração. E sigo narrando o movimento das nuvens no céu, os meus desafetos, os meus amores passageiros. Narro em silêncio a alegria de uma ligação internacional ou do recebimento de um cartão postal. Converso baixinho e faço caretas toda vez que penso em alguma coisa que fez ou faz meu coração disparar. Discuto meus problemas com o espelho, narrando-os ao me encarar.

Parece até piada, mas sábado a noite encontrei a solução dos meus problemas momentâneos com outro narrador: “No meu carro, eu não escuto música assim”. E eu deixei ele aumentar o volume. Dois segundos depois, me arrependi. “Música alta é a melhor coisa que tem”. Deve ser mesmo. Música alta nos impede de pensar (e não estou sendo irônica! Não desta vez!).

E é o volume do som quem vai me salvar nos próximos dias. Sim, porque no momento, minha inspiração se foi e eu não tô afim de pensar (principalmente sobre isso).